Abril 17 2018

Cinema na China: A importância do mercado chinês para Hollywood

Posted by Victor Fumoto

Sempre que um filme é lançado, vem junto com ele a expectativa pela bilheteria que será obtida, principalmente nos casos de filmes hollywoodianos produzidos por grandes estúdios, com elencos estrelados e que façam parte de grandes franquias. Atualmente, o cinema na China tem muita importância nessa equação, afinal uma população que supera 1 bilhão de pessoas é atraente para qualquer setor econômico, inclusive o da sétima arte.

 

 

O mercado do cinema na China é o segundo maior do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, mas, devido ao crescimento médio anual de 35%, deve chegar ao topo da lista até o fim desta década. Entre 2014 e 2015, o aumento registrado foi de 48,7%, chegando a 1,26 bilhão de espectadores e 6,8 bilhões de dólares faturados pelo setor. A China também é o país com o maior número de salas de cinema do mundo, chegando a 40.917, sendo que 85% delas são adaptadas para exibições em 3D.

 

Os sucessos de Hollywood que dependem da China

Existem muitos casos de filmes norte-americanos que fracassam na bilheteria doméstica e tem seu sucesso baseado na bilheteria do cinema na China, a animação Warcraft – O Primeiro Encontro de Dois Mundos (2016), por exemplo, atingiu cerca de 50 milhões de dólares nos Estados Unidos, enquanto na China rendeu mais de 220 milhões. Outra situação interessante é a do filme Rota de Fuga (2013), protagonizada pelos astros Arnold Schwazenneger e Sylvester Stallone; a película de pouco destaque chegou a 41 milhões nas bilheterias chinesas, enquanto nos Estados Unidos não passou de “míseros” 25 milhões. Outro filme que faturou mais no Oriente do que no Ocidente foi Truque de Mestre: O Segundo Ato (2016), atingindo 30 milhões de dólares a mais na China em comparação com o mercado dos Estados Unidos.

 

 

Há também exemplos de filmes com maior apelo comercial que dependeram diretamente do mercado chinês para serem sucesso de bilheteria. Em 2014, o 4º filme da franquia Transformers conseguiu um recorde de 31,7 milhões de dólares em sua estreia na China, o valor foi superado por Velozes e Furiosos 7 (2015), que chegou a incríveis 63,1 milhões de dólares em suas primeiras exibições para o público chinês. A sequência, Velozes e Furioso 8 (2017), conseguiu uma façanha ainda mais curiosa; os ingressos vendidos antecipadamente para os chineses superaram os 14,6 milhões de dólares.  Esses valores são muito impactantes. Produções dessa categoria atingem cifras bilionárias em suas exibições mundiais, e, nesses dois exemplos, o valor obtido nas bilheterias chinesas foram maiores que os da norte-americana.

O faturamento proveniente do cinema na China já é muito importante para o setor cinematográfico norte-americano há alguns anos. No país oriental, as produções hollywoodianas ocupam entre 43 e 51% do total arrecadado pelas bilheterias. O dado chama ainda mais atenção ao notar que há uma limitação de títulos internacionais que podem estrear na China; atualmente o número corresponde a 34 filmes por ano. Um caso recente muito interessante é o do filme Star Wars: O Despertar da Força (2015), o sétimo filme de uma das maiores franquias de Hollywood criava expectativa em diversos lugares do mundo, mas na China a situação era um tanto diferente. Os seis filmes anteriores foram disponibilizados no país muito tempo depois de seu lançamento oficial e o sucesso da série acabou não sendo o mesmo no gigante asiático. Com receio desse passado, a Disney, detentora dos direitos da série, investiu agressivamente em propagandas para aumentar a aceitação da película entre os chineses, envolvendo até mesmo celebridades do país como “embaixadores jedi”. As ações foram muito positivas, em seu fim de semana de estreia, o sétimo Star Wars registrou 52,6 milhões de dólares de bilheteria.

 

Cinema na China: muito além do dinheiro

 

 

Toda essa movimentação não interfere apenas nos cofres; vários outros aspectos da indústria cinematográfica norte-americana são afetados pela importância da China no setor. Considerando que boa parte dos espectadores dos filmes serão chineses, as produtoras hollywoodianas passam a se preocupar para que seus filmes agradem o público asiático, dessa maneira, questões políticas abordadas pelos roteiros tendem a ser favoráveis aos padrões da China, como exemplo podem ser citadas mudanças do remake de Godzilla (2014), que não só tirou a origem do monstro protagonista do Japão; como mostra em suas primeiras cenas um ataque ao território japonês (historicamente, as relações entre China e Japão são estremecidas). Há também a inclusão de atores e artistas chineses nas produções, além de filmes que contém participação direta dos orientais, como o já citado Transformers 4, uma coprodução sino-americana, ou ainda o filme A Grande Muralha (2017), que mistura elementos hollywoodianos com a cultura chinesa. Outro caso interessante, que mostra importantes alterações visando agradar o público chinês, é o de Homem de Ferro 3 (2013), a história originária dos quadrinhos retrata o vilão Mandarim, relacionado diretamente à cultura chinesa, entretanto, no roteiro, o personagem foi alterado para uma figura ocidental.

Vários fatores mostram que o Cinema na China é muito importante para a indústria cinematográfica de forma geral, e a tendência é que essa relação aumente cada vez mais. Boa parte dos estúdios de Hollywood precisam da China para atingir suas metas de faturamento e continuar superando seus recordes e isso não acontecerá se não houver uma adaptação do cinema aos gostos chineses. Isso significa que tanto em frente quanto atrás das câmeras, a cultura chinesa estará presente; veremos mais personagens chineses e mais histórias chinesas, assim como mais investidores chineses.

Se quiser saber mais ainda sobre o Cinema na China você pode ler esse outro artigo do blog da China Link Trading. Não se esqueça de deixar sua opinião nos comentários!

 

Por Victor Silva Mallavazi, diretamente de Marília, SP, Brasil

Fontes: Adoro Cinema, Uol, Terra, The Guardian, Star Wars.com, Supercinemaup

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