Cidades-fantasma da China: Causas do Abandono

Se você leu o título desse artigo e logo pensou em assombrações, não se preocupe, as cidades-fantasma da China não são mal-assombradas. Mas alguns fatores contribuíram para que determinados municípios chineses pareçam sempre vazios. Quer saber por que e como? Leia mais abaixo sobre algumas dessas cidades!

 

A maior das Cidades-Fantasma da China

cidades-fantasma da China
Ordos é a maior das cidades-fantasma da China

 

A migração para os grandes centros e o forte desenvolvimento urbano das últimas décadas criaram cidades muito maiores do que suas respectivas populações, fazendo com que elas pareçam sempre vazias. A cidade de Ordos, por exemplo, considerada a maior cidade fantasma do mundo, possui apenas 1,9 milhão de habitantes. Pode parecer muito em um primeiro momento, mas não se você considerar que sua área é aproximadamente a mesma de todo o estado de Santa Catarina na região Sul do Brasil.

Em 2003, representantes governamentais de Ordos decidiram planejar um novo distrito domiciliar, batizado de Kangabashi, capaz de abrigar 1 milhão de pessoas. Graças a um investimento financeiro de US$ 161 bilhões em 2010, a “Dubai do Norte da China”, como o empreendimento ficou conhecido, saiu do papel com suporte para 300 mil indivíduos. Entretanto, o local só possui de 20 a 30 mil residentes.

 

Cidades-fantasma da China
Cidade fantasma de Ordos vista de cima

 

Ordos não se tornou uma cidade fantasma devido a problemas financeiros, mas sim porque o governo não consegue convencer as pessoas para se mudarem para lá. Todavia, mesmo estando quase deserta, ela possui a segunda maior renda per-capita da China, perdendo apenas para a gigante Shanghai.

A área ao redor de Ordos possui uma das maiores reservas de carvão do país e um terço das conservas de gás, o que demonstra um enorme potencial para crescimento econômico. Logo, a ideia de construir um local que crescesse junto com a economia local parecia promissora. O fato mais engraçado é que o projeto acabou dando certo, tendo em vista que todas as moradias e escritórios foram vendidos no novo distrito, embora não sejam utilizados.

 

Jing Jin

 

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Moradora caminha em rua deserta em uma das cidades-fantasma da China

 

Uma outra cidade fantasma é Jing Jin.  Com 3 mil vilas, um hotel 5 estrelas, resort de luxo, campo de golfe, museus, templos, duas universidades, centros de entretenimento e diversas áreas em desenvolvimento, a única coisa que falta no município são pessoas. O projeto de construção da metrópole foi iniciado em 2012, a partir de uma parceria entre o governo local e a Hopson Development, uma das maiores empreiteiras chinesas. Entretanto, os especialistas apontam que nessas novas cidades, a infraestrutura e as oportunidades econômicas são deixadas de lado em relação ao ritmo acelerado de desenvolvimento das propriedades, o que torna difícil atrair mais residentes. O resultado são lojas vazias, ruas abandonadas, casas desabrigadas e dinheiro desperdiçado.

 

Little Paris e Little London

 

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Ao fundo, a cópia da Torre Eiffel em Tianducheng

 

Em 2007, a China decidiu construir sua própria versão de Paris. Tianducheng foi planejada para abrigar 100 mil pessoas, mas mesmo com uma Torre Eiffel de 108 metros, prédios em estilo europeu e uma cópia fiel dos jardins de Versalhes, o lugar não conseguiu atrair mais de 2 mil habitantes.

A exemplo de Paris, Londres também foi adaptada e transformada em uma das cidades-fantasma da China. Em 2006, Thames Town ( Thames, em português, é Tâmisa. O nome da cidade é uma clara referência ao famoso rio que banha Londres) foi erguida próxima a Shanghai, com casas no estilo Tudor, um rio artificial, réplica do Tâmisa, e diversas igrejas com arquitetura no estilo gótico. O custo de vida de uma cidade imponente não seria barato, o que, claro, acabou afastando a população, o que manteve a versão chinesa de Londres vazia.

 

Beichuan: cidade fantasma destruída por terremoto

 

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Beichuan, destruída por um terremoto em 2008

 

Se as outras cidades-fantasma da China são gigantes e esbanjam luxo, Beichuan é um caso que vai na contramão. A área rural, localizada a aproximadamente 143km do norte da província da capital de Chengdu, foi palco de um terrível terremoto, que ocorreu em 12 de maio de 2008. O sismo de 7,9 na escala Richter devastou a região e reduziu a província de Sichuan a uma enorme pilha de escombros e concreto. Entre os 90 mil mortos pelo terremoto, 8,6 mil eram habitantes de Beichuan – cerca de metade da população da cidade. Entre as vítimas, 1,3 mil crianças que foram soterradas quando a escola da cidade desabou. Com 80% dos prédios desabados e cobertos por lama, políticos decidiram que Beichuan não seria escavada ou reconstruída, mas sim permaneceria como estava: um memorial da catástrofe congelado no tempo.

 

Shopping Fantasma

 

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Entrada do New South China Mall, shopping fantasma em Dogguan

 

O New South China Mall, localizado na cidade de Dogguan, é um shopping faraônico que mais parece uma cidade fantasma. Com 659,612 metros quadrados, o local deveria receber pelo menos 100 mil visitantes por dia, algo que nunca aconteceu. Apenas 20% das lojas do lugar estão abertas e grande parte das pessoas que visitam o shopping não são compradores, mas sim jornalistas tentando entender o fenômeno das cidades-fantasma da China. Algumas atrações do complexo incluem réplicas do centro de San Francisco, do Arco do Triunfo de Paris, de algumas áreas de Las Vegas e até mesmo dos canais venezianos. As razões para o fracasso desse centro de compras incluem a localização desprivilegiada e a falta de compradores, tendo em vista que Dogguan é uma cidade, sobretudo, operária.

E você, tem alguma consideração sobre as cidades-fantasma da China? Compartilhe conosco nos comentários!

 

Por Ariel Oliveira, diretamente de Garça, SP, Brasil

Fontes: Gizmodo , BBC e South China Morning Post

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