China e África – reafirmando laços em visita de Xi Jinping

O presidente da China Xi Jinping está visitando o continente africano esta semana para firmar novos acordos comerciais e econômicos com países da África. A visita é uma grande oportunidade de estreitar as relações entre China e África. Programada para durar 5 dias, a viagem teve início nesta terça-feira, 1º de dezembro de 2015, quando Xi Jinping desembarcou no Zimbábue acompanhado de sua esposa e de sua delegação.

China e África

É esperado que acordos englobando projetos de infraestrutura, plantas industriais e agricultura sejam anunciados durante a visita. Segundo o vice-ministro chinês de relações exteriores, Zhang Ming, a cooperação entre China e África chegou a um estágio onde deve ser transformada e melhorada, e a viagem do presidente chinês ao continente será a mais importante e valiosa visita dos últimos anos.

Importantes tópicos estão sendo discutidos nas reuniões programadas com representantes de diversos países africanos, abrangendo também temas culturais e ambientais. Com isso, a China revela a influência que exerce no continente por meio de seus investimentos.

Infraestrutura, indústria e cultura

A primeira parada de Xi Jinping foi ao Zimbábue, onde a China é o maior investidor financeiro. Na cidade de Harare, capital do país, o presidente chinês encontrou-se com o presidente zimbabuense, Robert Mugabe, para discutir e assinar 10 acordos e memorandos sobre energia, aviação, telecomunicações e promoções de investimentos para impulsionar a economia do país.

China e África

É aproximado que o Zimbábue exporte à China 1 bilhão de dólares por ano de tabaco e níquel. Em contrapartida, a estimativa é que o governo chinês investiu, em 2013, 601 milhões de dólares no país, mais que qualquer outro país africano. O presidente também visitou uma base de resgate de animais selvagens e declarou apoio e esforço chinês para a preservação da vida selvagem.

Na África do Sul, Xi Jinping participou do Fórum de Cooperação China-África, com o presidente Jacob Zuma. Foram anunciados US$930 milhões de investimentos nas indústrias de ferro, energia, farmacêutica e outros setores. Também reuniu-se com Nkosazana Dlamini-Zuma, presidente da Comissão da União Africana (AUC), e disse que o governo chinês está pronto para trabalhar em uma cooperação China e África e impulsionar as vantagens dessa parceria.

Enquanto isso, na Tanzânia, foi inaugurado um centro de cultura Chinesa com investimento e organização do Ministério da Cultura chinês, com a participação do primeiro-ministro Mizengo Kayanza. O embaixador da China na Tanzânia, Lu Youqing, também presente no evento, declarou que o intercâmbio cultural é parte principal na relação bilateral entre os dois países, divulgando a cultura, arte e história chinesas e promovendo trocas sobre política, economia e outros temas.

Entretanto, estas relações entre China e África não tiveram início tão recente quanto se parece. Em realidade, desde o século passado os chineses vêm investindo no continente africano tanto com objetivos políticos, como econômicos.

 

Breve histórico e características das

relações entre China e África

Na realidade, os laços entre China e África têm suas raízes seculares que foram estreitados após a Revolução Chinesa (1949), onde o desejo de exportar a revolução e a proliferação de movimentos de libertação na África coincidiu, dando oportunidade para que Pequim fornecesse ajuda humanitária e bélica, e impedisse Taiwan de se aproximar desses países.

Outro motivo que favoreceu as relações durante os anos, foi o fato de que a política externa chinesa defende o princípio de não intervenção em assuntos internos dos países. Como alguns países da África sofrem embargo ou não recebem investimentos de países do Ocidente por conta de acusações de corrupção e desrespeito aos direitos humanos, empresas chinesas, ao serem permitidas de negociar independentemente de problemas de política interna, enfrentam pouca concorrência e possuem uma enorme vantagem.

China e África

Um exemplo é o Sudão, que, por conta dos conflitos civis e acusações do Ocidente, desde a década de 1980, teve o investimento pesado de petrolíferas chinesas, indianas e malais, após importantes empresas ocidentais terem sido desestimuladas pelos seus governos a permanecer no país africano.

Além disso, a China oferece um pacote completo de investimentos aos países africanos com que mantém relações de cooperação. Os chineses passam a ser um mercado, financiadores, investidores, empreiteiros, construtores e doadores para esses países. A estratégia chinesa está em garantir sua segurança energética, matéria prima e mão de obra para conduzir seu projeto de desenvolvimento, em troca de investimentos de longo prazo em setores como infraestrutura, indústria, comércio e educação.

 

O outro lado da moeda

O interesse chinês nas relações China e África é frequentemente acusado de ter aspirações coloniais. É divulgado que as empresas chinesas, apoiadas pelo rico e poderoso Estado chinês podem varrer do continente africano empresas ocidentais e locais.

Ainda há também a crítica a empréstimos realizados pelas empresas chinesas, por parte da União Europeia e dos EUA. As empresas emprestam dinheiro aos países africanos para obterem benefícios comerciais, fazendo vista grossa para abusos de direitos humanos e conflitos existentes no continente.

China e África

Na perspectiva africana, o investimento chinês é muito bem-vindo, especialmente na infraestrutura básica. O continente sofre com o déficit de infraestrutura, sem água potável, boas rodovias, energia adequada e comunicações confiáveis. Até setores antes “devastados” pela chegada dos chineses, como a manufatura, agora desfrutam de melhorias proporcionadas pelos investimentos.

 

Relação de interesses mútuos

Apesar das acusações da China e África possuírem relações de colonizador-colonizado, o que é ignorado é o fato de que a China precisa da África. Economicamente, para crescer os chineses precisam da energia, recursos e acesso ao mercado africano. Como potência em ascensão, a China precisa do suporte político dos líderes africanos como apoio contra o Ocidente.

Em resposta à críticas de que os chineses fazem concorrência a trabalhadores e empresas locais, a China começou a investir em educação na África, como centros culturais e centros de preparação profissional, reforçando a presença e ajuda.

Portanto, é sabido da existência de interesses econômicos e políticos da China na África, tanto os países africanos precisam de investimento, quanto a China precisa de mercado, energia e matéria prima. Não nos cabe aqui dizer se as críticas à essa cooperação são infundadas. Mas é fato que, futuramente, esta parceria pode gerar benefícios em setores primordiais, como a agricultura, possibilitando, talvez, que o problema da fome na África e do suprimento da demanda alimentícia da China sejam solucionados em conjunto.

Fontes: New York Times, Africa 21 Online, BBC, CCTV, Forbes, IPEA, The Economist, The Wall Street Journal, People Daily, International Business Times

Por Ingrid Torquato, diretamente de Marília, SP, Brasil.

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