Janeiro 30 2017

China pretende derrubar VPNs no país

Posted by Camila Sakamoto

O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China anunciou nesta semana um plano governamental de 14 meses que tem o objetivo de “limpar” os serviços de acesso à Internet. Esse plano reforçará esforços para derrubar o uso de VPNs (Virtual Private Networks) na China, dificultando o acesso a sites bloqueados ou restritos no país. Além disso, o plano do governo chinês é tornar ilegal a operação de serviços de VPN sem a aprovação do Estado.

 

VPNs

Os servidores VPN possibilitam o acesso a sites bloqueados ou restritos.

 

Os serviços de VPN e o Grande Firewall da China

Os serviços de VPN usam criptografia para “disfarçar” o tráfego da Internet, de tal forma que os internautas na China possam acessar websites que geralmente são restringidos ou censurados pelo Grande Firewall chinês.

 

VPNs

O Grande Firewall da China e os principais sites bloqueados.

 

O Grande Firewall é um vasto sistema de vigilância e controle do conteúdo da Internet no país que impede que as pessoas na China acessem determinados sites e páginas, tais como Google, Facebook e Twitter. Cerca de 171 dos 1.000 principais sites do mundo estão bloqueados atualmente no país, de acordo com o monitor de censura Greatfire.org. , para acessar esses sites, os usuários chineses podem utilizar serviços VPNs para acessar a Internet, embora o governo tenha tentado impedir tais acessos por muitos anos.

 

O plano do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China e as VPNs

 

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O Google está entre os sites que são restritos na China

 

De acordo com o Ministério, o plano foi projetado para “fortalecer a gestão da segurança da informação dentro do ciberespaço”, uma vez que “o mercado chinês de serviços de conexão à Internet tem sinais de um desenvolvimento desordenado, o qual exige regulamentação e governança urgentes”. A campanha é programada antes de uma revisão da liderança que ocorre no Congresso do Partido Comunista no fim de 2017.

Charlie Smith, da organização Greatfire.org, acredita que as medidas previstas no plano do governo chinês de 14 meses irão afetar, principalmente, os cidadãos locais: “Os estrangeiros não serão afetados, a não ser que eles ofereçam aos seus clientes um servidor chinês. Caso este seja o caso e os estrangeiros façam uso de servidores nacionais, eles provavelmente terão que se registrar na China ou abandonar tal servidor”. Smith afirma que, neste caso, os estrangeiros abandonariam servidores chineses, ou seja, os chineses seriam os mais afetados pelo plano. Smith admite certa preocupação com o fato de que os provedores domésticos de VPN, ao se inscreverem junto às autoridades, estejam compartilhando dados e informações relacionados aos seus clientes: “Os usuários de VPNs chineses sabem que estão acessando conteúdos considerados inapropriados pelo governo, por isso, poderiam, potencialmente, colocarem-se em perigo caso seu provedor estiver trabalhando em estreita colaboração com as autoridades”.

 

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Charge sobre o Grande Firewall da China.

 

Já David Gorodyansky, CEO da Anchor Free, empresa que fornece a Hotspot Shield VPN, também expressa preocupação com as novas medidas do governo chinês, principalmente no que concerne a privacidade e segurança. Segundo Gorodyansky, as VPNs não são utilizadas apenas para acessar conteúdo restrito, mas também para criar conexões seguras para pessoas e empresas que transmitem dados confidenciais. Assim, empresas com escritórios na China podem usar VPNs para se conectarem com segurança à Internet de sua sede em outro país. Ainda segundo o CEO da Anchor Free, “pessoas e empresas usam VPNs para proteger sua privacidade quando se trata de assuntos como saúde, riqueza e família”, porque as VPNs protegem o endereço IP do usuário, tornando, assim, mais difícil o rastreamento da identidade e localização da pessoa, além de também criptografarem o tráfego da web.

Apesar de suas preocupações, Smith acredita que toda a atenção gerada em torno do anúncio feito pelo governo chinês criou um “Efeito Streisand”, o qual fomentará um aumento na adoção de usuários de VPNs: “Essa história gerou manchetes na imprensa chinesa, o que ajuda a aumentar a conscientização sobre VPNs. Nesse sentido, eu esperaria que algumas empresas estrangeiras de VPN estejam vendo um ligeiro aumento nas inscrições de novos clientes da China”. Ou seja, ao noticiar na imprensa nacional o novo plano do governo chinês de barrar os servidores de VPN no país e dificultar o acesso a sites restritos, a China desencadeou um efeito contrário, em que os chineses estão obtendo mais informações sobre os servidores de VPN e aderindo a essas ferramentas.

 

Por Ana Yamashita, diretamente de Americana, SP, Brasil

Fontes: The Guardian; Youtube; Panda Guides; Lost Laowai

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