China compra terras estrangeiras: um negócio com o Brasil nos planos

Quando falamos de compras de terras normalmente não pensamos em tal ação feita por parte de alguns países no território de outros, mas sim feita por cidadãos no território da sua nação ou no de outras. Contudo, com grande frequência a China compra terras estrangeiras e, envolve em suas aquisições espaços de vários países e com potencialidades e recursos naturais distintos, entre as quais, as terras brasileiras são vistas com grande interesse.

China compra terras estrangeiras
China compra terras estrangeiras. Fonte: Istoé

Nos últimos tempos, a China tem comprado terras estrangeiras em um ritmo avançado, por meio de empresas que muitas vezes são ligadas diretamente ao Estado chinês e, tais compras beneficiam o gigante asiático que precisa garantir maior produção de diversos itens, principalmente daqueles ligados a alimentação de uma população que já é a maior do mundo.

 

China compra terras estrangeiras em diversas regiões

Entre as diversas aquisições, a China compra terras estrangeiras em todo o mundo, assim pode ser citado como exemplo, o fato de que o associado com um grupo de mineração, em 2016, o grupo imobiliário Shangai CRED comprou, na Austrália, a maior fazenda do mundo, S. Kidman & Co, dona de 185.000 cabeças de gado e de 2,5% das terras agrícolas do país. Já em 2012, o grupo chinês Shandong Ruyi tinha comprado a maior plantação de algodão da Austrália.

Ainda na mesma região, as grandes empresas agroalimentares Bright Food, Yili e Pengxin compraram dezenas de fábricas de leite na Nova Zelândia, provocando mal-estar entre os agricultores locais. Ademais, a China compra terras estrangeiras no hemisfério norte e, nos Estados Unidos, o chinês Shuanghui comprou a fabricante de salsichas Smithfield Foods, um passo para poder acessar terras de gado americanas.

Por outro lado, na França, os bilionários chineses multiplicaram as compras de vinhedos e, recentemente, autoridades descobriram que os investidores da China tinham adquirido 1.700 hectares de terras de cereais no centro do país através de uma manobra jurídica que permitiu evitar o controle do governo.

Além disso, o conglomerado chinês Reward Group confirmou à AFP em fevereiro que havia comprado “cerca de 3 mil hectares” de terras na França para cultivar trigo orgânico e, este mesmo conglomerado vai instalar uma cadeia de padarias na França. Logo, a China compra terras estrangeiras e intensifica os investimentos na agricultura francesa em meio ao descontentamento dos agricultores, que provocou uma reação do presidente francês.

 

 

China compra terras estrangeiras e aumenta o foco nos países em desenvolvimento

Desde 2010, já são 94 bilhões de dólares investidos, segundo os “think tanks” americanos conservadores Heritage Foundation e American Enterprise Institute (AEI).Logo, estão na mira da China vários países da América Latina , do Sudeste Asiático e da África, segundo a Land Matriz, uma base de dados independente de um grupo de pesquisadores.

Entre os países supracitados, Brasil, Argentina, Chile, Moçambique, Nigéria, Zimbábue, Camboja e Laos, registram a chegada de investimentos chineses, estatais ou privados, em fazendas de cereais, soja, cultivo de frutas, ou criação de gado.Desde 2012, pesquisadores calcularam projetos chineses no total de 9 milhões de hectares nos países em desenvolvimento.

 

Por quais motivos a China compra terras estrangeiras?

Muitos podem questionar porque um país com uma extensão territorial tão grande como a China compra terras estrangeiras com tanta intensidade. Logo, entre os motivos de tal ação, podem ser destacados fatores como uma população numerosa, a escassez de terras cultiváveis e a mudança da dieta provocada pelo desenvolvimento econômico.

Assim, a China concentra um quinto da população mundial, mas apenas 10% das terras cultiváveis disponíveis no mundo.

Ademais, fatores como a poluição endêmica , o excesso de fertilizantes químicos, a urbanização e a mudança climática tendem a diminuir ainda mais a superfície agrícola e sua produtividade.

Por outro lado, o desenvolvimento do poder aquisitivo estimula o consumo de carne, uma mudança de dieta que força o aumento das importações de soja e de milho para alimentar o gado, ao mesmo tempo em que os escândalos sanitários que afetaram recentemente a indústria alimentícia chinesa (arroz contaminado com cádmio e leite com melamina, por exemplo) reforçaram o interesse por alimentos importados.

 

A compra de terras brasileiras pela China

A China compra terras estrangeiras em grande quantidade em todo o mundo e, um fator preponderante que pode potencializar muito o apetite chinês para a produção agrícola no Brasil é a autorização da compra dessas terras por estrangeiros, hoje travado por um parecer de 2010 da Advocacia-Geral da União (AGU), que veta essas aquisições.

O governo Temer tem encaminhado um projeto que libera a compra de até 100 mil hectares de terras brasileiras por multinacionais – e esse total pode chegar a 200 mil hectares por meio de arrendamento. A expectativa era de que o projeto fosse votado ano passado, mas permanece na gaveta até o momento.

Para se ter uma ideia, 100 mil hectares correspondem a cerca de 1 mil quilômetros quadrados ou três vezes a área de uma cidade grande como Belo Horizonte. Atualmente, mais de três milhões de hectares de terras brasileiras já estão nas mãos de 20 grupos estrangeiros, uma média de 137 mil hectares por grupo, segundo dados da ONG canadense Grain.

Para Charles Tang, presidente da Câmara Brasil China, há grande interesse de investidores orientais pela compra de terras no Brasil para produção agrícola. Segundo ele, os chineses poderiam já ter investido cerca de 90 bilhões de dólares no país se fossem liberados para comprar terras, assim como a China compra terras estrangeiras em diversas regiões. Entretanto, mesmo que a legislação permaneça como está, com restrições, o interesse dos chineses pelo agronegócio brasileiro é crescente e não deve diminuir. “Eles têm muito acesso a capital e mais de 1,3 bilhão de bocas para alimentar”, lembrou Tang, em referência à população chinesa.

Dado o exposto, a China compra terras estrangeiras em todo o mundo, devido a diversos fatores internos que tornam tal ação necessária do ponto de vista estratégico para a população chinesa que enfrenta grandes mudanças de consumo pelo alto nível de desenvolvimento que a sociedade passa.

Logo, a China compra terras estrangeiras em países com diversos níveis de desenvolvimento e dotados de variados recursos naturais e, entre tais países o Brasil desperta grande interesse, fator que pode representar uma ótima oportunidade de negócios e investimentos locais, apesar das preocupações que essas aquisições trazem.

 

Por Pedro Mochiatti Guijo, diretamente de Marília, SP, Brasil

Fontes:  Amazonia.inesc; Istoe

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