China propõe área de livre comércio entre os BRICS

No último encontro da Cúpula dos BRICS (grupo de cooperação internacional que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), ocorrido em outubro na capital do Estado de Goa (Índia), o ministro do comércio chinês disse que uma área de livre comércio seria uma “significante forma de cooperação” entre os países dos BRICS.

 

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VIII Cúpula dos BRICS, em Goa, na Índia

 

Segundo Shen Danyang, porta-voz do Ministério do Comércio da China, ao criar uma área de livre comércio, os países dos BRICS poderiam remover barreiras tarifárias e não tarifárias, oferecer vantagens comparativas e promover a liberação do comércio e do investimento entres eles. Danyang disse, ainda, que essa iniciativa poderia fomentar o benefício mútuo e o desenvolvimento entre os países, além de auxiliar na cooperação Sul-Sul em uma escala global.

O porta-voz chinês esclareceu que, embora a China ainda não tenha levantado formalmente a questão para uma próxima reunião da cúpula, muitos especialistas propuseram a criação de uma área de livre comércio entre os países dos BRICS. No entanto, fontes do corpo diplomático brasileiro afirmaram que, inicialmente, essa proposta não seria apoiada pelo governo brasileiro.

 

VIII reunião da Cúpula dos BRICS

 

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VIII Cúpula dos BRICS, em Goa, na Índia

 

Os representantes dos BRICS se encontraram na cidade indiana de Panaji, entre os dias 15 e 16 de Outubro, para discutir alternativas que facilitem e potencializem o comércio entre os seus países-membros.

 

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Da esquerda para a direita:  Jacob Zuma (África do Sul) ;  Xi Jinping (China) ;  Pranab Mukherjee (Índia);  Vladimir Putin (Rússia) e Michel Temer (Brasil)

 

Embora não tenham discutido nesta ocasião a possibilidade de uma área de livre comércio, os representantes negociaram temas relacionados a uma maior cooperação nas áreas de pesquisa agrícola e meio ambiente, assim como assuntos relativos ao Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS e o Fundo de Reserva (criados na VI Cúpula dos BRICS, no Brasil).

Tais órgãos financeiros criados pelos países dos BRICS como resposta à falta de acordos para democratizar o Banco Mundial e o FMI (Fundo Monetário Internacional) se constituíram como um dos principais focos de discussão da Cúpula, além de aprofundar a cooperação em áreas como direitos de propriedade intelectual, promoção comercial e pequenas empresas.

Atualmente, um grupo de trabalho dos BRICS também está estudando a viabilidade de criar uma nova empresa de rating de crédito, em um esforço para quebrar o domínio das três grandes empresas da área (provenientes de países desenvolvidos): Fitch, S&P e Moody’s. A muito que as nações em desenvolvimento se queixam de receber avaliações mais severas de tais empresas do que os próprios países desenvolvidos.

 

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Os presidentes dos BRICS em reunião na VIII Cúpula dos BRICS

 

Paralelamente às discussões de cunho econômico, discutiu-se também a questão da reforma do Conselho de Segurança da ONU (composto atualmente por China, Estados Unidos, França, Rússia e Reino Unido), no qual Brasil e Índia tentam entrar a tempos como países-membros permanentes.

Representantes da Rússia esperavam ainda discutir, na ocasião, a crise da Síria, país que enfrenta desde 2011 graves conflitos entre rebeldes, Estado Islâmico e o governo de Bashar al-Assad. A ideia dos russos era que houvesse um comunicado conjunto dos BRICS apoiando a gestão de Assad, bem como as ações militares do governo Putin no conflito. No entanto, a crise síria não é um assunto de consenso entre os países dos BRICS, e, por isso, as discussões relativas a esse tema foram afastadas, priorizando apenas pautas em que haja consenso e convergência entre os membros.

 

Objetivos do Brasil na VIII Cúpula dos BRICS

 

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Os interesses brasileiros na VIII Cúpula dos BRICS

 

Durante a VIII Cúpula dos BRICS, na Índia, o presidente brasileiro, Michel Temer, quis demonstrar em seus discursos a recuperação da economia brasileira, buscando, com isso, passar segurança e atrair novos investimentos internacionais para o país. Temer afirmou que o Brasil começa a “entrar nos trilhos” novamente e convidou chefes de Estado, empresários e executivos dos BRICS a investirem no país. O Brasil buscou impulsionar seus negócios nos setores de TI (tecnologia da informação), da indústria farmacêutica, energética e agrícola.

Temer participou ainda de um encontro de cúpula ampliada, entre os BRICS e os chefes de Estado do BIMSTEC, grupo que reúne Bangladesh, Butão, Índia, Myanmar, Nepal, Sri Lanka e Tailândia. O presidente brasileiro ressaltou a intenção do Brasil em aumentar as relações comerciais com países asiáticos: “A Ásia é região de abundantes e preciosos recursos humanos e culturais. É a área de maior dinamismo econômico do Planeta. Sobretudo em período no qual nos concentramos na retomada do crescimento, desejamos intensificar relações com nossos amigos asiáticos e, certamente, com cada um dos países aqui reunidos”.

 

Objetivos da China na VIII Cúpula dos BRICS

 

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Os interesses da China na VIII Cúpula dos BRICS

 

A China, segunda maior economia do mundo, buscou no encontro expandir o acesso dos produtos chineses aos mercados estrangeiros. Prova da intenção chinesa é a sugestão informal de criação de uma área de livre comércio entre os países dos BRICS. Outro objetivo muito importante para os chineses é uma rota comercial que passe pela Ásia Central e pela Rússia, até chegar à Europa, e uma rota marítima que atravesse o Oceano Índico. O ministro das Relações Exteriores chinês, Li Baodong, chamou essa iniciativa de “One Belt, One Road” e a ressaltou como prioridade nacional.

O presidente chinês, Xi Jinping, buscou o apoio indiano para seu projeto de rotas comerciais em troca do apoio chinês à candidatura da Índia para se juntar ao Grupo de Fornecedores Nucleares, um grupo composto por 48 nações que concordou em aderir às diretrizes para o comércio nuclear e para a não disseminação de armas nucleares.

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Por Ana Yamashita, diretamente de Americana, SP, Brasil

Fontes: The BRICS Post, China Daily, Exame, El país, G1, CNBC

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