Dezembro 02 2018

Carros chineses: uma oferta crescente no Brasil

Posted by Victor Fumoto

Ao andarmos pelas ruas do Brasil, vemos carros das mais variadas marcas, como Volkswagen, Chevrolet, Ford, Hyundai, entre outras. De forma geral, essas e outras são não apenas as mais fáceis de encontrar nas ruas, como também as mais prováveis de vir às mentes das pessoas caso pedíssemos que citassem marcas de carros. Entretanto, as marcas chinesas estão lentamente ganhando popularidade no mercado brasileiro, e já é possível encontrar os veículos circulando pelas ruas. Saiba um pouco mais sobre as marcas de carros chinesas que estão crescendo no Brasil! Confira um vídeo do nosso canal do Youtube falando sobre os carros autônomos na China e outros assuntos!

 

Em direção ao crescimento

As marcas de carros chinesas mais populares no Brasil atualmente são provavelmente a JAC Motors, fundada em 1964 e com sede em Hefei, a Chery, uma estatal fundada em 1997 e com sede em Wuhu, e a Lifan, um dos maiores grupos privados da China, fundada em 1992 e com sede em Chongqing. Essas marcas já são bem estabelecidas na China, e há alguns anos buscam entrar com tudo no mercado brasileiro. Em 2014 foram vendidas aproximadamente 15 mil unidades das marcas no Brasil, e os planos da JAC miravam a venda de ao menos 100 mil unidades por ano através do país.

 

Image by: World Resources Institute

 

O modelo mais popular da Lifan no ano foi o SUV X60. À época, avaliado em 55 mil reais, possui motor 1.8 e potência de 128 cavalos. O veículo foi altamente criticado pela imprensa, que comentou sobre as falhas de estrutura, como a alavanca de regulagem de altura do volante, que bate violentamente na coluna de direção ao ser destravada, o que pode assustar ou até mesmo machucar alguém que esteja desavisado, ou sobre o acabamento em plástico em torno da maçaneta que se soltou ao abrir uma das portas. Apesar da avaliação baixa nas críticas, o utilitário foi aprovado por uma boa parcela do público. Segundo a própria Lifan, aproximadamente 25% dos clientes que fizeram o test-drive fecharam negócio. Até setembro de 2014, tinha vendido mais de três mil unidades.

Quanto à Chery, o modelo de maior sucesso foi o QQ, que se tornou uma visão comum nas ruas. O veículo é um subcompacto, à época com valor de 22 mil reais, motor 1.0 e 1.1, e potência de 68 cavalos. A maior crítica tratou do ruído interno, com comentários sobre o motor chinês ser um tanto “esgoelado”. Mesmo assim, o subcompacto vendeu aproximadamente 2,3 mil unidades no país em 2014. Sua nova versão, o New QQ, começou a ser fabricado aqui mesmo em 2016, na fábrica da marca em Jacareí, São Paulo.

 

 

Já a JAC ganhou destaque com o também subcompacto J2, que apresenta uma aparência mais esportiva. Com o preço de 33 mil reais em 2014, motor 1.3 e potência de 108 cavalos, foram vendidas aproximadamente 2 mil unidades do veículo. A crítica à época avaliou o modelo relativamente bem, ressaltando a suspensão independente nas quatro rodas, mas destacou que apesar da tecnologia ser surpreendente, o desempenho no asfalto brasileiro deixa a desejar. Supostamente o carro não está “preparado” para as ruas do Brasil.

 

Obstáculos e superação

É evidente que comparados às marcas mais conhecidas no Brasil, o número de vendas não parece grandes coisas. Mas é preciso levar em consideração também as dificuldades que as marcas tiveram para se estabelecer por aqui. Em 2016, o agravamento da crise e o protecionismo brasileiro levaram ao aumento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para produtos importados, o que atingiu fortemente as intenções das marcas chinesas que visavam o mercado brasileiro. Marcas como a Geely e CN Auto, deixaram o país, e a JAC Motors abandonou seus planos de instalar uma fábrica em Camaçari, na Bahia.

Entretanto, agora em 2018 o cenário é diferente, e as empresas chinesas confiam que a economia brasileira entrará nos eixos rapidamente, apostando no leve crescimento econômico que o país apresentou nos últimos meses. Então, as marcas planejam mais uma empreitada em terras brasileiras, já que a regra na qual se aplicava IPI de 30% aos produtos importados que excedessem 4,8 mil unidades ao ano foi encerrada em dezembro de 2017. As empresas que conseguiram se manter após o caos econômico, Chery, JAC e Lifan, apresentam novidades.

A Chery apresentou o SUV Tiggo 2, e já confirmou mais outros três modelos para o Brasil. O modelo sedã Arrizo 5 será fabricado na planta de Jacareí, enquanto os utilitários Tiggo 4 e Tiggo 7 serão produzidos em Anápolis, Goiás. A empresa possui também planos relacionados à produtividade, visando uma oferta maior de seus produtos no mercado brasileiro, por isso, pretendem aumentar até o final de 2018, a produção na fábrica de Jacareí dos atuais 35 para 120 carros fabricados por mês.

Na JAC Motors, o destaque foi o modelo T40, e ainda em 2018, espera-se que cheguem às lojas o T5 renovado, que passará a se chamar T50, passando a operar com motor 1.6 e o modelo novo no Brasil, T80, que terá motor 2.0 turbo, funcionará a gasolina e terá uma potência de pouco mais de 200 cavalos.

A Lifan quer tirar a imagem de produtora de carros baratos e está focada em oferecer modelos de maior valor agregado. Como com a venda do utilitário X80, com espaço para sete pessoas, ar-condicionado digital, sistema “anticapotamento”, e ajuste elétrico de bancos para todos os passageiros. Apesar de o modelo apresentar novidades de mais alto nível, as intenções da empresa quanto às vendas são modestas, buscando uma média de 120 vendas ao mês. Johnny Fang, vice-presidente da marca no Brasil, comentou que a medida é uma abordagem realista sobre como os modelos chineses são vistos no Brasil. Não é do senso-comum avaliar os carros chineses como artigos de luxo ou de alto custo, e sim como produtos mais acessíveis e com preços atraentes. A estratégia da marca é mostrar que os veículos chineses possuem tanta qualidade quanto seus concorrentes coreanos e japoneses.

 

 

Como dito antes, é comum relacionar os produtos chineses em geral com a ideia de uma menor qualidade e desenvolvimento, e os carros não escapam. Entretanto, são diversas as marcas chinesas que têm se empenhado para oferecer carros mais sofisticados, repletos de facilidades e tecnologias inovadoras, além de designs mais arrojados, que são pouco associados às marcas chinesas se considerarmos a simplicidade do desenho do QQ da Chery, por exemplo. Muitas marcas, não apenas de carros, começaram pequenas e pouco apreciadas, e atualmente são dominantes em sua área, ou têm prestígio considerável, e o mesmo pode acontecer com as marcas de carro chinesas, o que é uma hipótese muito provável, já que as mesmas têm apresentado constantes inovações e taxas de crescimento impressionantes. Resta apenas descobrir quanto tempo levará para que consigam superar a comum relação de seus produtos com produtos de menor qualidade, e que superem as barreiras que as impedem de decolar de vez no mercado brasileiro.

Fontes: Uol Carros, Jornal do Carro, Quatro Rodas.
Por Arthur Bonsaglia, diretamente de Marília – SP.

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