Dezembro 14 2017

BYD, a empresa chinesa que produz carros elétricos

Posted by Victor Fumoto

Em meio às discussões sobre o desenvolvimento sustentável e a utilização de possibilidades cada vez menos poluentes, a indústria automobilística tem se mostrado, por vezes, resistente às novas tecnologias que são consideradas “verdes”, uma vez que são ainda raras as iniciativas de carros elétricos ou que não utilizam fontes energéticas não petrolíferas. Diante desta perspectiva, surgiu, do investimento do bilionário estadunidense Warren Buffett, a empresa BYD, cuja sigla significa Believe Your Dreams, ou em mandarim, Bǐyàdí Qìchē ( 标志), com a proposta de lançar automóveis híbridos e que utilizam apenas energia elétrica. Tais modelos concorrerão com empresas americanas que, até 2020, estarão rodando por até 1000km antes de uma nova recarga! Recentemente a empresa chinesa assinou um contrato para montar uma de suas fábricas no Marrocos, para produzir carros, ônibus e caminhões que rodam 100% com energia elétrica!

 

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A chinesa BYD é a marca que lidera as vendas de carros elétricos no mundo neste ano.

 

BYD lança a nova geração de veículos elétricos

A empresa chinesa BYD adotou, nos últimos anos, uma clara estratégia para seus projetos no que tange os segmentos de veículos, como carros, ônibus e caminhões, unindo sabiamente sua principal produção, uma vez que a empresa é simplesmente a principal fabricante de baterias do mundo, com a necessidade mundial do abandono dos produtos que utilizam da combustão. Dessa forma, as fábricas da BYD passaram a focar seus investimentos e tecnologias na produção somente de veículos híbridos e elétricos. Tal estratégia tem se mostrado eficaz, posto que a empresa é uma das poucas fabricantes que pode se gabar de um crescimento anual de 28% em seu lucro, podendo contar com a aderência em massa da população chinesa, que, sozinha, se mostrou responsável por mais da metade do volume de veículos elétricos emplacados no mundo; sendo o principal mercado do mundo, muito a frente da Noruega. O país nórdico apresenta a política mais consolidada quando o assunto é a utilização de automóveis de propulsão alternativa em todo mundo.

 

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A BYD apresentou um crescimento anual de 28% em seu lucro.

 

Outro dos dados interessantes sobre as vendas dos veículos de propulsão alternativa, como os vendidos pela BYD, é que os carros elétricos irão superar o volume global de um milhão de unidades emplacadas já nesse ano de 2017. Segundo pesquisas que buscavam analisar tal proporção entre os diferentes tipos de carros vendidos, as vendas de automóveis elétricos contabilizaram um notável aumento de 45% sobre o registrado em 2016, o que resulta em um volume total de mais de 1,1 milhão de unidades emplacadas neste ano, somando todas as fabricantes que atuam nesse segmento ao redor do mundo.

 

Capacidade dos carros BYD

A resistência do mercado em relação aos automóveis híbridos e elétricos gira, em sua maior parte, em torno de questões relacionadas ao funcionamento desses, questionando tais veículos em suas respectivas capacidades, potências atingidas e durabilidade. Pensando nisso, a BYD prometeu uma nova gama de produtos que prometem cumprir com todos os requisitos que um veículo a combustão cumpriria. O novo modelo da empresa chinesa, chamado Tang, cujo nome poderá ser adaptado ao chegar ao Brasil, é inspirado na nova geração de motores híbridos de seis componentes energéticos da Fórmula 1 e possui uma combinação de um motor 2.0 turbo com outros dois elétricos, partindo da chamada “iniciativa 5-4-2” da marca chinesa. Dessa forma, seus modelos deverão acelerar de 0 a 100 km/h em menos de 4,9 segundos, contando com tração nas 4 rodas e apresentando consumo na casa de 2 litros/100 km, segundo os dados da BYD.

 

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Tang, o carro da BYD na foto acima, tem a mesma aceleração de um Jaguar F-Type S!

 

Para que se tenha ideia da potência do Tang, podemos fazer uma comparação direta entre ele e o Jaguar F-Type S, que possuí um motor 3.0 V6 sobrealimentado, e ambos teriam a mesma aceleração! Um dos principais concorrentes dos modelos chineses se encontra nos Estados Unidos: a nova geração do Tesla Roadster, que será lançado a partir de 2020 e será capaz de rodar cerca de 1.000 km. Dessa forma, podemos concluir que nos requisitos de capacidade, o uso de novos materiais para os acumuladores de energia e a aplicação de plataformas concebidas permitirão que tais carros se aperfeiçoem ao ponto de, no futuro, os carros elétricos serem capazes de atingir um alcance praticamente igual, ou superior, aos carros atuais à gasolina.

 

Os carros elétricos no Brasil

O Brasil ainda se mostra desleixado com tal situação, uma vez que os raríssimos incentivos governamentais, somados ainda à uma difícil burocracia enfrentada pelas montadoras, atrasam a produção de automóveis com tais ideais e fazem com que as empresas, tanto nacionais como internacionais, percam o interesse no investimento da área, sendo raras as iniciativas de fabricantes que resolvem se aventurar no segmento. A chinesa BYD já está presente no Brasil e, juntamente com a Volkswagen, confirmou a importação do elétrico e-Golf ao Brasil, esperando comercializar um milhão de automóveis elétricos no mundo até o ano de 2025.

 

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Outras marcas também investem em veículos elétricos, mesmo diante da falta de incentivo no Brasil.

 

Atualmente, a empresa chinesa vendeu somente cinco modelos por aqui, sendo eles destinados a taxistas da cidade de Campinas, no interior de São Paulo, e também cedendo alguns de seus modelos para o uso de forças policiais ou outros órgãos governamentais. Podemos entender que, nesse quesito, o Brasil ainda engatinha em relação ao resto do mundo, mas vale-se a nota que, a partir de janeiro de 2018, começará a vigorar o novo regime automotivo Rota 2030, que pode ser uma esperança para a melhora nas condições dos carros elétricos, de forma que esses possam se tornar ainda mais palpável no país.

 

BYD se expande por todo o mundo

A BYD recentemente assinou um acordo para abrir uma de suas fábricas no Marrocos, para produzir carros, ônibus e caminhões que rodam 100% com energia elétrica, sendo tal fábrica um novo centro de tecnologia projetada entre, principalmente, a China e o Marrocos. Tal estrutura, que já está sendo chamada de “Vale do Silício Norte Africano”, planeja construir grandes baterias em um espaço de 50 hectares, criando a possibilidade para que a empresa chinesa empregue, aproximadamente, 2.500 pessoas! A empresa continua se expandindo cada vez mais, espalhando fábricas com contratos milionários por toda a Europa, como, por exemplo, a fábrica de 20 milhões de euros em Komarom, no norte húngaro, cuja capacidade de produção é de mais de 400 ônibus elétricos por ano; ou mesmo o exato projeto feito na Hungria reproduzido em Allone, também no norte, só que dessa vez francês, que custará à empresa 10 milhões de euros e produzirá 200 ônibus elétricos a partir da metade do ano de 2018.

Tanta agressividade para estabelecer sua presença a nível mundial demonstra como a BYD tem se tornado uma gigante empresa neste quesito durante o presente ano!

O que você achou da BYD? Você compraria um de seus carros?

 

 

Por Lucas Fortes Mulati, diretamente de Ribeirão Preto, SP, Brasil

Fontes: People’s Daily China, Autoo, Europe Auto News

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