Bullying na China: governo investe em disciplina militar contra a prática

Na semana passada, 14 meninas, com idade entre 15 a 18 anos, foram condenadas por bullying na China. O governo chinês decidiu, então, testar um programa de reeducação por condicionamento militar. Quer saber mais sobre o ocorrido? Continue lendo o artigo!

 

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O “curso de reeducação” chinês

Na semana passada, um tribunal do distrito de Tongzhou, situado no leste de Pequim, obrigou várias menores de idade, culpadas por assédio escolar, a participarem de um programa que tem como objetivo corrigir este comportamento através de treinamento militar.

O chamado “curso de reeducação”, organizado pelo próprio governo e uma escola local, tem a duração de uma semana e, caso seus resultados sejam positivos, ele poderá ser levado a outros adolescentes que cometerem ofensas semelhantes.

O novo método foi testado em 14 meninas de 15 a 17 anos que foram declaradas culpadas de “insultos e abusos” em suas respectivas escolas por casos de bullying.

As penas variam entre a aplicação de sanção administrativa até a condenação de, pelo menos, um ano e dez meses de prisão no caso mais grave. Ainda que essa última pena tenha sido suspensa temporariamente por dois anos e somente será aplicada em caso de reincidência.

 

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As adolescentes, acompanhadas por seus pais, iniciaram o curso, que inclui aulas sobre a lei chinesa nesse quesito e cuidados psicológicos. Além disso, tiveram de realizar várias horas de trabalhos sociais em um lar de idosos.

O juiz do tribunal criminal do distrito, Wei Dan, fez a seguinte afirmação para o jornal local Evening News: “Esperamos que as meninas possam abrir sua mente e percebam o inadequado de seu comportamento anterior, e que aprendam a comunicarem-se melhor com os demais”.

Ainda segundo o jornal, é a primeira vez que adolescentes culpados por bullying recebem uma educação especial fora de suas escolas e sob a tutela dos juízes. Quando concluído o curso, as meninas que “cumprirem os requisitos” poderão voltar às suas escolas. Para Wei, todas elas se mostraram desejosas de fazer com que isso ocorra, e as escolas também aceitarão seu retorno.

 

A questão do bullying na China

bullying é um problema muito forte e cada vez mais crescente na China. Infelizmente, o país não possui uma lei específica sobre essa questão e a norma que protege os menores se limita aos casos de violência por parte dos adultos, mas não entre os jovens. Os que não completaram 16 anos poucas vezes enfrentam castigos rigorosos, a não ser que tenham cometido crimes tão graves como o assassinato.

 

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O número de casos denunciados é pequeno, porque na maior parte dos casos, tanto os pais como as escolas optam por minimizar o problema. Alguns estudos feitos mostram que uma a cada cinco crianças da escola secundária esteve ligada a episódios de assédio escolar, seja como vítima ou como aquela responsável por praticá-lo.

Nos últimos anos, o problema ganhou bastante notoriedade, já que se tornaram virais, nas redes sociais, diversos vídeos de agressões físicas e psicológicas gravados pelos próprios alunos com seus smartphones.

Os estudos realizados sobre esse assunto indicam que alguns dos fatores que contribuem para o bullying entre os adolescentes são: situação familiar pouco estável, baixa autoestima e vício à Internet.

 

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“A principal razão pela qual essas meninas feriram outras pessoas é que os pais não moram em Pequim com elas, trabalham em outras cidades. Apesar de terem dinheiro, cuidam de suas filhas de uma maneira espiritualmente vazia. Pagam sua matrícula, lhes dão o melhor celular…, mas não recebem uma educação por parte de seus pais e crescem muito mimadas. Depois são afetadas por conteúdos impróprios que veem na Internet e decidem intimidar seus colegas de classe para tentar liberar suas emoções”, explicou Wei.

A opinião pública, no entanto, não acredita que poucos dias de disciplina militar possam ser capazes de corrigir efetivamente a atitude das jovens e, por isso, pedem uma reforma da lei. “Por que existem tantos casos de abuso nas salas de aula? É simples, as punições não são graves”, comentou um usuário no Weibo. “Acho que é muito difícil mudar o pensamento dessas garotas. O mais provável é que depois desse curso, e até mesmo se foram expulsas da escola, se tornem ainda mais rebeldes”, afirma outro.

 

Por Lys Brittes, diretamente de Marília, SP, Brasil

Fontes: El País

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