Agosto 08 2017

Budismo: entenda uma das principais religiões da China

Posted by Victor Fumoto

Poucas coisas representam tanto a China quanto o budismo. Na maioria de suas cidades existem templos dessa religião e suas práticas estão impregnadas na sociedade como um todo. Você nem precisa ir à China para comprovar isso, pois basta ir a qualquer Chinatown (ou no caso brasileiro, no bairro da Liberdade, em São Paulo), para ver nas lojinhas alguma imagem de Buda. Os chineses são pragmáticos quando o assunto é religião, visto que o budismo, o confucionismo e o taoismo convivem de forma harmônica e se interinfluenciam, enriquecendo a cultura chinesa há séculos. Nesse artigo, entenda como o budismo se originou, a sua chegada na China e como se desenvolveu por lá.

 

A origem do budismo

O budismo não nasceu na China. Seu fundador, o príncipe Sidarta Gautama, era filho e herdeiro de um reino onde hoje se localiza o Nepal. Após viver seus primeiros anos na corte com muito luxo e conforto, sem ter contato com os sofrimentos do mundo, o príncipe sai de seu palácio e choca-se ao ver um senhor muito idoso e um corpo. Transtornado com essas imagens, ele sai do palácio em busca da cura do sofrimento e da morte.

 

Budismo

 

Gautama tenta, a princípio, encontrar as respostas para os seus questionamentos com os grandes mestres hindus de sua geração, porém estes não o satisfizeram. Tentou, então, fazer jejuns extremos, mas também não deu certo. Até o momento em que o príncipe decidiu que ficaria sentado embaixo de uma figueira até conseguir conhecer a verdade. Depois de um tempo meditando, segundo a tradição, o príncipe foi iluminado e tornou-se o Buda, palavra que vem do sânscrito e significa justamente “aquele que foi iluminado”. Depois de ter atingido a iluminação, Buda passou a ensinar e a arrebanhar cada vez mais discípulos.

 

Os princípios do budismo

Buda ensinou que o apego pelas coisas passageiras do mundo gera nas pessoas sofrimento, o qual culmina num interminável ciclo de reencarnações, e, consequentemente, de sofrimento. Ao atingir a iluminação, também chamado de Nirvana, o ciclo se interrompe. Para atingir o estado de Nirvana, primeiramente era preciso compreender e aceitar as “quatro nobres verdades”: o sofrimento é uma parte da existência; a origem do sofrimento está nos anseios de ter prazeres mundanos e de tentar viver uma vida sem dor ou sofrimento; o sofrimento termina; o caminho para terminar o sofrimento são os “nobres oito passos”.

 

Budismo

Imagem de Sidarta Gautama, o Buda, sentado sobre a flor de lótus

 

Segundo o fundador do budismo, para atingir o nirvana era preciso praticar de modo correto, as seguintes coisas: compreensão, pensamento, fala, ação, modo de vida, esforço, atenção e concentração.

Há três principais correntes do budismo, o Theravada, o Mahayana e o budismo tibetano. O primeiro espalhou-se mais pela Índia, Sri Lanka e países do Sudeste Asiático, como a Tailândia. Já o Mahayana propagou-se pela China, Coreia e Japão.

 

A chegada do budismo na China

O budismo demorou para chegar na China. Foram cerca de, pelo menos, cinco a seis séculos depois do falecimento de Buda que a religião conseguiu chegar no país asiático. Segundo os historiadores, a religião chegou na China por volta do século II d.C. Os budistas foram ora perseguidos, ora tolerados, de acordo com a vontade dos imperadores chineses.

Aos poucos, porém, os ensinamentos budistas foram assimilados pela população chinesa e fundiram-se com as outras crenças religiosas da região, tais como o confucionismo, o taoismo e a religião tradicional chinesa. O taoismo foi, com certeza, um dos principais aliados para a propagação do budismo na China, visto que foram os taoístas que ajudaram os monges budistas a traduzirem os sutras, isto é, os escritos sagrados para o chinês. Ao fazerem isso, eles utilizaram uma linguagem com expressões e termos do Taoismo, já muito conhecido pelos chineses, de modo que o budismo fosse melhor compreendido.

 

Budismo

Monges budistas no Templo do Cavalo Branco, em Luoyang, província de Henan, na China

 

Assim, a religião foi crescendo, templos e monastérios foram construídos e o budismo tornou-se poderoso e rico. No ano de 845, durante a dinastia Tang, a religião sofreu uma severa perseguição, quando os imperadores mandaram fechar os monastérios e confiscar suas propriedades. Porém, a força da religião era tão grande que as políticas de supressão foram relaxadas nos anos subsequentes. Uma outra perseguição contra os budistas e seguidores de outras religiões na China aconteceu na década de 60, durante a Revolução Cultural promovida por Mao Ze Dong – também conhecido como Mao Tse-tung.

 

O budismo na China

O budismo desenvolveu-se em diferentes escolas, refletindo, desse modo, a variedade de pensamentos existentes. Destacam-se três: o Tian-Tai, o Terra Pura e o Chan.

 

Budismo

Templo Xuan Kong, na China

 

O Tian-Tai, também conhecido por Tendai, enfatiza o estudo e o entendimento da mensagem de Buda através dos sutras. Os que seguiam essa tradição ajudaram a reunir os diversos escritos budistas da época, objetivando a formação de um único discurso coeso e coerente.

O Terra Pura surgiu como uma expressão mais popular e menos intelectual do budismo. Enfatizava que a salvação apenas poderia ser obtida através de práticas devocionais, como cantar os sutras ou meditar algumas fórmulas, além da veneração das imagens de Buda.

O Chan, mais conhecido no Ocidente como Budismo Zen, é, com certeza, a forma mais conhecida da religião para os ocidentais e surgiu como uma reação tanto ao Tian-Tai quanto ao Terra Pura. Foi uma tentativa de rejeitar toda a doutrina existente e focar apenas na meditação como uma maneira de atingir a iluminação.

 

Budismo

Templo de Shaolin, famoso pelo Kung fu, na China

 

Existem diversos templos budistas na China. Os mais famosos são o Templo Shaolin, famoso pelo Kung Fu, o Templo Xuan Kong, construído em rochedos, o templo Yufo em Shanghai, os diversos monastérios do Tibete, dentre tantos outros espalhados pela China e que valem a pena serem conhecidos.

E aí, já conhecia a história do budismo na China? O que achou? Compartilhe conosco nos comentários!

 

Por Victor Fumoto, diretamente de Marília, SP, Brasil

Fontes: Asia Society; China Highlights; University of Indiana

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