Setembro 29 2018

Eleições 2018: o que os presidenciáveis pensam sobre a China?

Posted by Victor Fumoto

O Brasil é um país inserido e altamente dependente do mercado internacional, visto que nossas principais receitas vem das exportações de commodities, especialmente a soja. Além disso, nosso maior parceiro comercial atualmente é a China, que compra grande parte da nossa produção agrícola e mineral, como o ferro. A atual guerra comercial entre o governo Trump dos EUA contra a China afeta sensivelmente todo o mundo, já que as economias estão cada vez mais integradas devido à globalização.

 

A importância das relações bilaterais de Brasil e China

Segundo o jornal Diário do Nordeste do começo de agosto, uma pesquisa feita com mais de 100 empresários brasileiros mostrou que estes acreditam que a guerra comercial entre China e EUA terá reflexos na economia brasileira e que, por isso, sentem a necessidade de ouvir dos presidenciáveis propostas e posicionamentos acerca do tema e da relação entre Brasil e China. De acordo com Deborah Vieitas, CEO da AmCham (Câmara Americana de Comércio), o tema ainda aparece de forma tímida dentro do programa eleitoral e nos debates.

 

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Quais são as posições dos principais presidenciáveis do Brasil em relação à China? Imagem: TSE

 

Pelo fato de o Brasil ser um país exportador, a AmCham julga que o próximo presidente precisa priorizar o comércio exterior e as relações bilaterais com os seus principais parceiros comerciais, que são justamente a China e os EUA. Enfatiza-se que nos últimos 70 anos, os países que mais se desenvolveram economicamente, como o Japão, Coreia do Sul, Cingapura e China tiveram de 40 a 50% do seu PIB fruto da soma de exportações com importações.

 

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A polarização política no Brasil gera incerteza no futuro da economia. Imagem: Estadão

 

O jornal Folha de S. Paulo destaca que ao contrário do que houve nas eleições de outros países, a China parece meio relegada ao segundo plano. Quando houve as eleições estadunidenses em 2016, democratas e republicanos debatiam qual era a melhor “China Policy”. Na Argentina, a China foi tema recorrente quando Macri foi eleito presidente, visto que o governo Cristina Kirchner tinha assinado um acordo comercial muito vantajoso aos chineses. Nas eleições mexicanas, a China vinha aos debates públicos pelo medo da saída de muitas fábricas do México em direção ao país asiático, caso os mexicanos saíssem do NAFTA. Ou seja, a China tem sido pauta de debate eleitoral mundo a fora e não deveria ser diferente nas Eleições 2018.

De janeiro a junho de 2018, as exportações brasileiras para a China foram de US$ 30 bilhões, o dobro do que foi aos EUA. De 2015 a 2017, bancos chineses de fomento, como o Banco de Desenvolvimento da China, realizaram um empréstimo ao Brasil de US$ 42 bilhões, e o país tende a se tornar nossa principal fonte de IEDs (Investimentos Estrangeiros Diretos). Além disso, muitas empresas chinesas têm procurado fazer fusões e aquisições com empresas brasileiras, como a Guide Investimentos e o Banco BBM.

 

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Qual o futuro da relação Brasil e China? Imagem por: g1.com.br

 

Presidenciáveis nas Eleições 2018: o que pensam sobre a China?

A seguir, confira um resumo dos posicionamentos sobre a China dos 5 principais presidenciáveis:

  • Jair Bolsonaro (PSL): o candidato que aparece na frente nas pesquisas eleitorais já declarou abertamente sua preocupação com o “avanço chinês”. Num giro por países asiáticos, em que passou pelo Japão, Coreia do Sul e Taiwan, ficou notório que este pulou a China. Na época, sua justificativa foi que a China não estaria “comprando no Brasil, e sim comprando o Brasil”. O candidato afirmou em algumas entrevistas que teme a crescente compra de terras por chineses no Brasil e o aumento dos investimentos do país em empresas estatais brasileiras. Ademais, a visita do candidato à Taiwan teria irritado, segundo alguns jornais, o governo chinês.
  • Marina Silva (REDE): a candidata expressou em entrevistas que as relações bilaterais com a China são muito importantes para o Brasil e que há espaço para que estas sejam cada vez mais ampliadas. Segundo a mesma, do ponto de vista dos investimentos, desde que esteja dentro dos critérios ambientais e de relações transparentes, sem prejudicar o controle estratégico do Brasil em alguns setores da economia brasileira, há espaço para ampliação. Marina também destaca que uma cooperação tecnológica com os chineses na área de energias renováveis seria muito benéfica ao país.
  • Ciro Gomes (PDT): o candidato defende que o Brasil precisa buscar novos aliados e parceiros estratégicos. Conforme o site do PDT, o Partido Comunista Chinês vê com bons olhos a eleição de Ciro. Apesar disso, o candidato afirmou que o Brasil precisa ter cautela com a China, para o país não se torne uma “colônia neocolonialista” da China.
  • Geraldo Alckmin (PSDB): o candidato propõe-se a adotar uma política pragmática em relação aos principais parceiros comerciais do Brasil, buscando abrir mercado especialmente para exportação agrícola. O candidato também se compromete a negociar com a China a medida anti-dumping em relação ao frango brasileiro.
  • Fernando Haddad (PT): segundo o programa de governo apresentado pelo partido, o candidato compromete-se a fortalecer a relação do Brasil com os BRICS através do projeto de sediar no Brasil o Arranjo de Contingente de Reservas (ACR), que serviria como um substituto do FMI, só que dos BRICS, e também mediante uma maior contribuição para a formação do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD).

 

E você, já decidiu em quem votar nas Eleições 2018? Conhece as propostas do seu candidato à presidência em relação à China? Deixe sua opinião nos comentários e assista também nosso vídeo: O que os presidenciáveis dizem sobre a China?

 

Por Victor Fumoto, diretamente de Indaiatuba, SP, Brasil

Fonte: Diário do Nordeste, AmCham, Folha de S. Paulo, Gazeta do Povo, Xinhua, Revista Época, Reuters

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