Brasil: ainda somos o alvo da China?

Embora muito se tenha falado ultimamente no Brasil, principalmente por parte dos discursos ideológicos realizados por nosso atual governante, Jair Messias Bolsonaro, sobre um possível afastamento do gigante asiático, em termos econômicos e políticos, o que se evidencia é que o Brasil ainda está nos planos chineses como um dos principais alvos de mercado.

 

Brasil
Ao que tudo indica, o Brasil é um dos principais alvos da política chinesa de infraestrutura

 

Afinal, que projeto é esse?

O famoso projeto chinês de investimentos em obras de infraestrutura, chamado Belt and Road Initiative (BRI) ou, como popularmente chamamos, “Nova Rota da Seda, tem como objetivo investir uma quantidade colossal de dinheiro (5 trilhões de dólares!) em aproximadamente 65 países- o maior plano de investimentos da história da humanidade. Ou seja, basicamente seria a reconstrução da antiga Rota da Seda, conectando a China com a Ásia, a Europa e outros países. Tal quantia, para termos ideia, é três vezes o PIB do Brasil e 40 vezes o que foi utilizado pelo Plano Marshall (plano criado pelos Estados Unidos para reconstruir a Europa após a segunda guerra mundial).

Esta estratégia não é novidade: durante os séculos 18 e 19, a Inglaterra adotou a mesma postura, construindo ferrovias e portos em diversos lugares do mundo, assim como os Estados Unidos fizeram também nas décadas de 1940 e 1950. O objetivo por trás de tais investimentos é claro: além de ocupar a capacidade ociosa das milhares de indústrias chinesas, gerando empregos aos seus trabalhadores, visa-se à abertura de novos mercados para o escoamento dos abundantes produtos chineses.

 

A nova rota da seda e a expansão da influencia chinesa no mundo

 

Como fica o Brasil nessa?

Primeiramente, temos que ter em mente que existe uma certa fragmentação em relação ao pensamento brasileiro no que tange a continuidade da relação de proximidade com a China: de um lado, temos o uma ala mais radicalmente ideológica, onde o próprio presidente e o chanceler brasileiros enxergam como “exposição” da parte do Brasil, o que seria uma ameaça estratégica.

Entretanto, do outro lado, o ministro da Economia Paulo Guedes afirmou que o interessante para o Brasil seria justamente a continuidade e o aumento do estreitamento dos laços econômicos com a China, representando uma visão mais moderada e pragmática.

Como parte da estratégia chinesa, a América Latina será um dos principais alvos de área de sua influência, a fim também de ter maior acesso a seu mercado. Naturalmente, o Brasil será seu principal alvo, uma vez que representa o maior mercado da América Latina. Portanto, o que podemos esperar são posturas mais incisivas do governo chinês para obter maior aproximação do Brasil.

Visto isto, o que se tem notícia é que a China deve propor, formalmente, a adesão dos países latino-americanos durante a cúpula dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), a qual ocorrerá durante o mês de novembro, em Brasília.

 

oportunidade
Como será que ficarão as relações Brasil x China?

 

Bom demais pra ser verdade?

Um dos problemas que está sendo muito levantado de toda essa cadeia de investimentos chineses é o alto endividamento gerado e a falta de transparência dos projetos  relativos ao Belt and Road Inititative, o que pode implicar em problemas a longo prazo.

A estratégia chinesa de expansão da infraestrutura em outros países tem como base o empréstimo junto ao Estado chinês ou a instituições semiestatais chinesas. Ou seja, principalmente as pequenas nações, as quais não possuem sistema internacional de crédito, podem contrair altas dívidas para com o Estado chinês, o que as tornariam reféns do mesmo.

Entretanto, ao notar que alguns membros da comunidade internacional acreditavam que a iniciativa se tratava apenas de uma ferramenta geopolítica para contrair dívidas com o Estado chinês, o dirigente do Comitê das Relações Exteriores da China, Yang Jiechi, declarou, via Diário do Povo, que o objetivo principal é para realmente promover o desenvolvimento em conjunto. Em suas palavras: “Isso obviamente mostra falta de objetividade e compreensão justa da iniciativa Uma Rota, Um Cinturão. É um mal-entendido, um erro de julgamento e é até mesmo preconceito”

Como enfatiza, os projetos da Nova Rota da Seda tem como base meticulosas avaliações de risco, desde sua seleção até o seu financiamento, com o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável. Segundo Yang Jiechi, “até o momento nenhum país participante enfrentou uma crise de dívida- ao contrário, muitos países conseguiram escapar da “armadilha do não desenvolvimento”.

 

(Imagem by PDP, 2018, Pixabay)

 

Ao final de abril, a China pretende realizar seu segundo cinturão de cintos e estradas em Pequim, contando com a participação de 40 líderes estrangeiros, dentre os quais já confirmados temos o presidente russo Vladimir Putin, o primeiro ministro paquistanês Imran Khan, o primeiro ministro do Camboja Hun Sem e o presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte.

E vocês, o que acham disso tudo?

 

Por Caroline Malheiros, diretamente de Marília.

Fontes: Sputnik, Super Interessante e Folha de S.Paulo

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