Outubro 02 2018

Bloqueio chinês às críticas ao governo

Posted by Victor Fumoto

Não é de agora que o problema da censura e do acesso a conteúdo de internet tem sido matéria de polêmica no gigante asiático. O site da web do canal norte-americano da HBO sofreu um bloqueio na China por críticas feitas por um apresentador de programa. Quem tentar acessá-lo, por enquanto, não conseguirá. Isso é muito similar ao que acontece a outros veículos de mídia. Exemplos disso são o The New York Times, o Twitter e o YouTube. Vale a pena conferir o porquê.

 

(Imagem by: gerald, Pixabay, 2013)

Bloqueio ao site da HBO na China (Imagem by: geralt, Pixabay, 2013)

 

A censura chinesa e as críticas feitas

No último dia 17 de junho, domingo, a edição que foi ao ar do programa Last Week Tonight fez uma sátira ao governo chinês. Este programa é um dos famosos talk shows. É uma espécie de programa em que se costuma ter um entrevistador e um entrevistado. O apresentador do programa, John Oliver, foi quem realizou uma sátira ao governo de Xi Jinping, secretário geral do Partido Comunista Chinês.

 

 

Segundo o apresentador e comediante, a China têm tido tendências cada vez mais autoritárias. Isso por silenciar e censurar diversas formas de dissidência de informação na sociedade chinesa. A sátira foi realizada em vídeo de cerca de vinte minutos. Pelo tamanho, estes costumam tornar-se virais. Especialmente pelo fato de que produzem sátiras cômicas em relação aos fatos da realidade internacional.

 

O bloqueio segundo um grupo anti-censura

De acordo com o grupo de monitoramento e anti-censura Greatfire.org, o site da HBO sofreu um completo bloqueio na China. A ação foi realizada a partir do último sábado (23/06). Isso foi dias depois de surgirem notícias de que o Weibo havia censurado novos posts mencionando Oliver ou seu programa da HBO Last Week Tonight.

 

 

A Weibo é um serviço de microblogging chinês que foi criado pela Sina Corporation em agosto de 2009. Ela funciona como uma rede social, sendo uma das mais populares utilizadas na sociedade chinesa.

 

O revés do lado chinês

Até o momento desta publicação, nenhum dos veículos mais tradicionais da mídia chinesa se pronunciou sobre o ocorrido. Os principais meios digitais jornalísticos consultados foram o Xinhua e o China Daily. Além disso, também foi verificado o site criado pelo próprio partido vigente na China, o People’s Daily.

 

 

Também foram procurados informações e pronunciamentos oficiais governamentais. Até o momento, nada foi divulgado. A questão principal a ser analisada é que este exercício de censura tem sido polêmico na China. Além disso, é notória a preocupação da China em relação a conteúdo de informações. Isso foi matéria de outro assunto polêmico que está diretamente relacionado à questão da censura.

 

O vídeo polêmico

No vídeo, o apresentador comentou diversos assuntos envolvendo o país oriental. Falou da atual e cada vez mais proeminente importância da China no contexto mundial. Também mencionou a recente reforma realizada pelo governo para acabar com o limite de mandatos que os presidentes podem possuir, para ficarem na presidência pelo tempo que “quiserem”, segundo o humorista.

Ele também mencionou diversas “piadas” que são comumente realizadas na internet e nas redes sociais em relação ao governo chinês, mencionando expressões como “culto de personalidade”, “meu imperador”, entre outras, que também foram bloqueadas nas redes sociais.

 

Alternativa ao bloqueio

A HBO, que é distribuída em toda a região pela subsidiária HBO Ásia, não está disponível nos sistemas de cabo e satélite da China continental, exceto em conjuntos habitacionais estrangeiros, como hotéis e lugares que hospedam estrangeiros. O programa de Oliver, no entanto, nunca foi incluído na programação da HBO Ásia.

 

 

Os usuários de internet chineses passaram a utilizar redes privadas virtuais, ou VPNs. Fazem-no para obter acesso aos conteúdos que têm sido restritos pelo governo. As redes “mascaram” os locais em que os usuários acessam a internet. Isso é feito para contornar as restrições de licenciamento com base na localidade do usuário e a censura governamental. Cabe acompanhar para ver no quê vai dar.

 

Por Rafael Nascimento, diretamente de Marília, SP.

Fontes: Independent, Público Portugal, The Guardian, The New York Times