Big Fish and Begonia, a animação chinesa de doze anos

Um projeto teve seu embrião a partir de uma animação de sete minutos, doze anos depois  tornou-se um grande sucesso mundial por sua sensibilidade na produção de uma bela forma de representação da arte, que é a animação. O primeiro Big Fish and Begonia, produzido por Xuan Liang e Chun Zhang no ano de 2004, foi realizado em Flash.  Após uma sólida receptividade na China, a animação  foi publicada na internet e lançando a dupla para que estabelecessem a sua própria produtora já no ano seguinte, a Shout! Studios, com o objetivo de desenvolver e transformar aquela animação em Flash em um filme animado para o cinema. O seu sucesso, após os longos anos de produção e dificuldades, abre uma gigantesca porta para as animações chinesas, que muitas vezes ficam à sombra das japonesas, que possuem uma amplitude mundial consolidada. Mais do que isso, o longa-metragem chinês passa uma mensagem para um receptor de maneira sutil e delicada, sendo uma verdadeira obra de arte contemporânea.

 

Big Fish and Begonia
Depois de doze anos para sua produção “Big Fish and Begonia” é lançado – Image by Shout! Studios and Funimation Films.

O que é Big Fish and Begonia?

Big Fish and Begonia, é uma aventura de fantasia épica escrita, produzida e dirigida pelos animadores Xuan Liang e Chun Zhang, que se desenvolvem em um entrelaçado de diferentes narrativas, lendas míticas e personagens líricas de clássicos literários chineses que vivem no ideário da população chinesa, sendo uma grande representação dos grandes personagens da China. A beleza neste filme é com certeza um dos pontos mais marcantes, sendo capaz de criar a estranha sensação da imagem que está sendo vista não fazer o menor sentido, quando analisada racionalmente, mas você ainda assim a aprecia, e por este fator, tudo passa a agir de uma maneira comum para você. A partir deste momento, assistir ao filme parece um pouco como espiar o sonho de outra pessoa, deixando que a história serpenteie e divague, fazendo com que os telespectadores entrem na imersão dos voos fantasiosos, de forma que o total desrespeito pela trama ou lógica nem faça sentido, pois como um sonho, o que importa é a sutileza dos sentimentos que aquela representação possa nos transmitir, e não a história em si. Essa mistura, somada à técnica empregada pelos autores mesclam a animação digital e desenhada literalmente a mão é definitivamente linda, alcançando o nível das grandes animações japonesas do Studio Ghibli, que produziu outras grandes obras como “O Castelo no Céu”, em 1986;  “Meu amigo Totoro”, em 1988; “Princesa Mononoke”, em 1997;  “A Viagem de Chihiro”, em 2001 e “O conto da Princesa Kaguya”, em 2013.

 

Big Fish and Begonia
Image by Shout! Studios and Funimation Films.

A filosofia chinesa na animação

O enrolar e desenrolar do Big Fish and Begonia se dá num mundo onde uma raça mística de seres controlam os domínios dos mares e a mudança das estações, mas uma jovem garota chamada Chun, um destes seres místicos dos mares, que sente que quer experimentar o mundo humano ao em vez de simplesmente observá-lo. Ao fazer dezesseis anos, é permitido a Chun que se transforme em um golfinho e explorar o mundo humano, sendo a partir deste ponto que as verdadeiras questões surgirão. A protagonista encontrará com a relação entre o sacrifício e o amor, mas seu caminho é recheado de maravilhosos personagens coadjuvantes que marcam Big Fish and Begonia por completo, como o exemplo da bruxa cujo enxame de ratos é justamente a alma de cada um dos humanos pecadores, sendo um complexo caleidoscópio de imagens marcantes e personagens distintivos que tornam o filme ainda mais fascinante. Esta relação de vai e vem entre tais personagens e a linha principal do filme se encaixa perfeitamente na compressão que a animação busca passar sobre a morte como uma simples progressão natural que deve ser respeitada, tal qual a lei de causa e efeito a qual todos os personagens estão ligados, quem queiram ou não. A história do filme buscou por inspirações nos antigos mitos clássicos do taoista chinês Zhuangzi, que é um conto de amor e sacrifício, mas também como diversas outras lendas clássicas da literatura chinesa.

 

 

Big Fish and Begonia
Image by Shout! Studios and Funimation Films.

A repercussão mundial do Big Fish and Begonia

As dificuldades encontradas durante os doze anos de produção do Big Fish and Begonia foram severas para os dois criadores, uma vez que Xuan Liang tinha finalizado o roteiro do longa-metragem já no ano de 2009, mas a questão orçamentaria falou mais alto no estúdio, sendo necessária à dupla assumir outros projetos em paralelo, o que consequentemente atrasava ainda mais a produção da animação, que custou em sua produção cerca de 30 milhões de yuans ou 5 milhões de dólares estadunidenses. Toda a espera parece ter valido a pena, já que no ano de 2016, quando lançado apenas na China, o filme se tornou um grande sucesso arrecadando até hoje quase 510 milhões de yuans, ou 85 milhões de dólares! Posteriormente, Big Fish and Begonia passou a ser um grande sucesso de bilheteria no exterior pelo seu caráter de anime híbrido 2D/3D, que é um dos principais estilos de animes chineses. Os entusiastas da animação de todo o mundo, artistas e críticos têm anunciado a conquista artística do filme como “a vanguarda da florescente indústria de animação chinesa”, levando a obra para diversos festivais como Annecy International Animation Film Festival, BFI London Film Festival, no festival inaugural ANIMATION IS FILM e no Festival Internacional de Cinema Infantil de Nova York.

 

Se interessou pelo Big Fish and Begonia? Veja o trailer clicando aqui e comente o que achou!

 

Por Lucas Fortes Mulati, diretamente de Ribeirão Preto, SP, Brasil

Fontes: ShoutFactory,  AWN, Intoxianime, The Guardian, Geração Animação

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