As Megacidades Chinesas

Não é segredo para ninguém que a China é o país mais populoso do mundo, com mais de 1,3 bilhão de habitantes, no entanto, graças à grande extensão territorial do país, sua densidade demográfica, não está nem entre as 50º maiores do mundo com um média de 148 habitantes por quilômetro quadrado. Assim, devido às condições climáticas de grande parte do país, como os grandes desertos na região central, e ao relevo montanhoso de algumas partes do território, a população urbana se concentrou principalmente na região sudeste do país. O resultado dessa concentração, somado a uma massiva urbanização resultou em um fenômeno conhecido como Megacidades, isto é, cidades com mais de 10 milhões de habitantes. Não existem muitas megacidades no mundo, porém só na China podemos encontrar quatro delas: Xangai, Pequim, Shenzhen e Guangzhou. Além disso, existe ainda a província de Xunquim, mas que por ainda possuir exatamente o estatuto de província não será discutida em nosso texto.

 

O conceito de megacidade

Megacidade é o termo criado pelo Organização das Nações Unidas (ONU) e empregado para definir uma cidade que abrigada uma aglomeração urbana com mais de dez milhões de habitantes e que seja caracterizado por uma rápido processo de urbanização. É importante ressaltar que a  população das megacidades não conta com a região metropolitana em seu contorno, ou seja, o fenômeno conhecido como conurbação, que é a junção da área urbana de dois municípios (por exemplo, a Grande São Paulo) não é levado em consideração. Atualmente, as megacidades englobam mais de um décimo da população urbana mundial (em torno de 7,5 bilhões de pessoas), e como também se tratam de grandes metrópoles, as megacidades polarizam o comércio, a cultura, o conhecimento e a indústria. Em muitas dessas megacidades, o contingente populacional é tão elevado que chega a ser superior ao de muitos países, o que explica a necessidade de criação e utilização do termo.

 

megacidades
Xangai, uma das quatro megacidades chinesas e um exemplo de urbanização

 

O processo de urbanização chinesa e formação das megacidades

O processo de industrialização se iniciou com mais intensidade no mundo a partir do século XVIII, na Inglaterra, quando aconteceu a Primeira Revolução Industrial, e conforme a industrialização foi avançando pelo mundo, a urbanização a seguiu. Com as duas ficando mais rápidas e intensas com o passar do tempo, de modo que a urbanização contemporânea é incomparável com a de alguns séculos atrás.

Por outro lado, a história na China aconteceu de um jeito um pouco diferente. Apesar de certo avanço industrial no país, o fenômeno de urbanização não o seguiu como aconteceu no restante do mundo, o que aconteceu devido às políticas implantadas por Mao Zedong, que favoreciam e incentivavam a agricultura de subsistência, fazendo com que as pessoas continuassem no campo. Esse contexto começou a mudar em 1978, com as reformas econômicas implantadas por Deng Xiaoping, que deixariam a China mais aberta para o mundo, bem como a transformariam em uma “economia socialista de mercado”. A terra deixou de ser do governo e passou a ser propriedade privada, o que causou uma grande mudança na paisagem chinesa, áreas rurais que antes abrigavam pouquíssimas pessoas deram lugar para metrópoles, e que agora abrigam milhões de habitantes. Tal processo de urbanização foi fundamental para as recentes altas taxas de crescimento do PIB chinês.

Segundo dados da ONU, mais de 500 milhões de chineses deixaram o campo em rumo às cidades nos últimos 30 anos, e alcançou a taxa de urbanização de 58,52% acima do valor esperado pela Administração Nacional de Estatísticas, e ainda há muito mais por vir. Um bom resumo de toda essa imagem é uma das megacidades que discutiremos a seguir. Em 1978, Shenzhen, onde a China Link tem a sua sede, era uma vila com aproximadamente 700 pessoas em seus domínios, e hoje é uma cidade com mais de 11 milhões de habitantes.

 

Megacidades Shenzhen
A megacidade de Shengzhen, que em 1978 tinha 700 habitantes. Fonte: Onde Ficar em Sua Viagem

 

As megacidades chinesas

Como existem diversos artigos separados e específicos em nosso blog sobre tais cidades, as discutiremos de forma conjunta, levando em consideração a sua importância enquanto uma megacidade. E para tal, levaremos em consideração o relatório “Cidades de Oportunidade 2018”, co-publicado pela Fundação de Pesquisa de Desenvolvimento da China e pela empresa internacional de contabilidade, Pricewaterhouse Coopers (PwC), de 2018, e que levou em consideração aspectos como, capital intelectual, inovação e maturidade tecnológica.

Segundo o relatório, Pequim lidera a pesquisa em 5 fatores: capital intelectual e inovação, maturidade tecnológica, saúde e segurança, transporte e planejamento urbano e influência econômica. Shanghai, o maior centro comercial e financeiro do país, ficou no primeiro lugar no rating em termos de importância regional e ambiente comercial. Enquanto Shenzhen e Guangzhou lideraram no que diz respeito a desenvolvimento econômico geral e desenvolvimento empresarial nos últimos 40 anos. Fica claro, portanto, como essas megacidades são de extrema importância para o país, como foram responsáveis pelo desenvolvimento da China, e como tem a responsabilidade de manter esse desenvolvimento em níveis altos.

 

Megacidades Guangzhou
A megacidade de Guangzhou, que possui uma população de mais de 14 milhões de pessoas

 

E os líderes e governantes sabem disso, tanto que planejam aumentar a já megacidade Pequim para em um futuro não tão distante poder abrigar 130 milhões de pessoas, sendo, assim, seis vezes maior que Nova Iorque. O projeto tem como objetivo revitalizar a economia do país e tornar-se num centro especializado na investigação e modernização.

 

Por João Victor Scomparim Soares, diretamente de Cerquilho, SP, Brasil

Fonte: Wikipedia, Diário do Povo, MarcosCosta e RTP

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