Arte chinesa em seu apogeu: Qingming!

A arte esteve presente na formação histórica e cultural de todas as grandes civilizações. A China possui a civilização contínua mais antiga da história da humanidade, portanto, é natural que sua produção artística chinesa seja vasta e diversificada. Em toda sua produção, a arte chinesa obteve notável destaque na produção de pinturas e trabalhos em cerâmica, além de um modelo arquitetônico particular. Marcada pela serenidade de sua produção, a arte chinesa sempre buscaram a harmonia com o universo. Apesar da diversidade e reconhecida qualidade das obras chinesas, uma pintura se destaca como o trabalho mais famoso, trata-se da pintura “Along the River During the Qingming Festival”, ou “Ao longo do rio durante o Festival Qingming” em tradução literal.

arte chinesa

 

A Monalisa na Arte Chinesa

O rolo de Qingming é considerado o mais famoso entre todos os quadros chineses, e também popularmente conhecido como a Monalisa chinesa. Trata-se de um quadro panorâmico pintado em uma tela de seda. Acredita-se que tenha sido criada pelo artista Zhang Zeduan, que viveu entre os anos 1085 e 1145. Medindo 5,3 metros de comprimento e 24,8 centímetros de altura, o rolo Qingming foi projetado para ser desenrolado lentamente da esquerda para a direita, como se contasse uma história. Acredita-se que a cidade retratada seja a capital da dinastia Song, Bianliang (hoje Kaifeng), na província de Henan, embora não haja nenhum elemento claro que permita uma identificação precisa.

O termo Qingming remete a ideia de claridade, o que também possibilita uma intepretação metafórica, onde  a cidade retratada seria uma cidade idealizada, uma cidade que alcançou o equilíbrio harmônico. É possível observar que não há sinais de pobreza na cidade e todas as castas convivem por toda a extensão do pergaminho. A riqueza de detalhes é impressionante, é possível observar a vida cotidiana dos habitantes de forma muito clara e expressiva. De acordo com estudiosos, o panorama possui um total de: 814 pessoas, 170 árvores, 60 animais, 30 edifícios, 28 barcos, 20 veículos e 9 liteiras de transporte.

O pergaminho passou por diversos proprietários privados ao longo dos séculos, até que em 1945 retornou à propriedade pública e passou a ser guardado no museu do palácio da Cidade Proibida.

Assim como a Monalisa original, o pergaminho Qingming serve de inspiração para diversas releituras, muitas delas acrescentaram elementos contemporâneos e buscam retratar novas histórias no formato do pergaminho original, no entanto, a mais recente retrata exatamente a mesma imagem, porém em uma escala maior e em uma “tela” bastante inusitada. Seguindo a tradicional arte chinesa de esculturas em madeira, Zheng Chunhui passou 4 anos esculpindo uma réplica detalhada do famoso pergaminho Qingming, em um tronco com 12,2 metros de comprimento e 2,4 metros de altura, fato que entrou para Guinness, o famoso livro dos recordes.

O resultado é absolutamente impressionante! Infelizmente, por questões naturais, a escultura exibida em 2013 não terá uma longevidade muito grande, diferente do pergaminho original que se aproxima dos 1000 anos. Apesar dos efeitos do tempo se mostrarem presentes, o pergaminho ainda se encontra em boas condições e de tempos em tempos é colocado para exibição junto ao público. As últimas exibições foram no 80º e no 90º aniversário do museu palácio, em 2005 e 2015 respectivamente.

arte chinesa

 

O festival Qingming

Como foi dito anteriormente, a mais famosa obra de arte chinesa se chama “Ao longo do rio no Festival Qingming”, mas o que é o festival Qingming? O festival é celebrado sempre em torno do dia 4 ou do dia 5, variando anualmente. O festival também é conhecido como “dia da limpeza dos túmulos”, se assemelhando bastante ao nosso dia dos finados.  A celebração possui dois significados: a harmonia e apreciação da chegada da primavera, e a manifestação de respeito e prestação de homenagens aos ancestrais. De certa forma o festival remete à tristeza e à alegria, uma vez que os chineses recordam dos antepassados que se foram, mas ao mesmo tempo celebram a vida com a chegada da primavera, realizando atividades familiares ao ar livre.

arte chinesa

As origens do Festival Qingming remetem a história de Jie Zitui, um homem simples que ajudou o nobre Wen em seu período de exílio. Wen estava faminto e prestes a morrer de fome, diz a lenda que Jie Zitui cortou um pedaço de sua própria perna e ofereceu a Wen, que aceitou e prometeu recompensa-lo algum dia. Wen se esqueceu de sua promessa e ascendeu socialmente. Dezenove anos depois, Wen se recordou de sua promessa e se sentiu envergonhado. Wen resolveu então partir em busca de Jie Zitui, que neste momento vivia isolado no alto de uma montanha com sua mãe.

Como não o encontrou, Wen ordenou que fosse ateado fogo na montanha, para que Jie Zitui não tivesse outra opção além de se apresentar, no entanto Jie e sua mãe não resistiram e seus corpos foram encontrados pelos homens de Wen. Extremamente abatido, Wen ordenou que durante 3 dias ninguém usasse fogo para cozinhar, somente comidas frias poderiam ser servidas.. Neste momento foi criado o Hanshi Festival, onde somente comidas frias podem ser consumidas.

Um ano depois durante o festival, Wen subiu a montanha para se sacrificar por Jie, mas encontrou um jovem salgueiro, um sinal de vida em meio à floresta destruída. Ele então decretou que o dia após Hanshi Festival deveria ser o Festival QingMing. Hoje em dia os dois festivais são comemorados como um.

 

Por Gustavo Massi Soares, diretamente de São Paulo, SP, Brasil

Fontes: Travel China Guide, New York Times, Guiness Book

Gostou desse artigo? Então veja muito mais em nossa página do Facebook, em nosso blog e em nosso site.


Veja Também


Deixe seu comentário