Animes chineses: Um mercado em expansão

Estamos acostumados a consumir os mais diversos produtos chineses, os famosos “Made in China”.Porém, não temos muito acesso aos produtos audiovisuais da China, que estão crescendo principalmente nos últimos tempos e ganhando muito nos quesitos de investimento e qualidade, nas mais diversas categorias entre as quais vêm se destacando os animes chineses.

 

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Imagem de YouTube

 

Quando falamos sobre animes, principalmente para o público “nerd” a maior referência que surge é o Japão, que de fato realiza há muito tempo uma incrível produção de mangás que se tornam animes e têm uma enorme qualidade, tradição e projeção internacional. Contudo, apesar desse enorme concorrente no mercado, a China segue trabalhando bastante na produção de animes e, mesmo com a fama de de uma adaptação de menor qualidade, os animes chineses estão melhorando cada vez mais em qualidade, com altos investimentos e planos para o futuro.

 

Donghua: Animes chineses

Donghua (动画) significa literalmente “desenho que se move” em chinês e é assim que as animações são chamadas por lá. Os pioneiros a produzir as primeiras animações chinesas foram os Irmãos Wan nos anos 20. A partir dos 60 começou a era de ouro das animações chinesas com a criação do Shanghai Animation Film Studio, que reuniu diversos artistas talentosos da época, inclusive os Irmãos Wan.

 

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Danao Tiangong, animação de 1961. Imagem de Researchgate.net

Em 1966 começou a Revolução Cultural na China e qualquer coisa que tivesse uma visão diferente deveria ser eliminada. Assim as animações chinesas(http://www.chinalinktrading.com/blog/big-fish-and-begonia/) ficaram praticamente em stand-by. Passada a Revolução Cultural, nos anos 80 e 90, as animações americanas e japonesas já estavam bem mais desenvolvidas do que as chinesas e faziam muito mais sucesso. Mas ao mesmo tempo, não havia mais nada impedindo a indústria de crescer e a tecnologia cresceu muito e foi se tornando mais acessível.

O tempo passou, os animadores chineses foram se aperfeiçoando e conquistando mais destaque, e nos últimos anos, os números de empresas que se dedicam a animações e de produções chinesas aumentaram muito. A cada nova temporada de anime, é possível notar alguns títulos que vieram da China.

 

Animes chineses: O potencial do gigante asiático

A China não para de crescer no streaming de animes, e segundo analisem vai passar o lucro anual que o Japão, principal mercado de animes, tem com o ramo. Além disso, quase metade do lucro bruto em licenças de streaming do mercado japonês está vindo da China, com a alta disputa entre vários canais de anime do ais. Animes estão cada vez mais populares na China, deles mesmos ou dos japoneses.

Com o constante crescimento, o mercado está começando a virar. Em vez do Japão estar usando mão de obra de estúdios da China para produzir seus animes, são eles que estão repassando trabalho para o mercado japonês.

 

Animes chineses e os Estúdios Haoliners

Ao falar sobre os animes chineses, nao e possivel nao pensar nos Estúdios Haoliners que já realizou grandes produções. O Estúdio Haoliners começou a ficar relativamente conhecido para as pessoas fora da China quando iniciou seu investimento no mercado japonês em 2015, com o anime Hitori no Shita.

Ele foi fundado originalmente em 2013 na China, e em 2015 comprou um pequeno estúdio no Japão e colocou um dos ex fundadores do estúdio japonês Gonzo para gerenciar. Chama-se estúdio “Amon”, todas as produções que passam no Japão, são coordenadas e planejadas por ele, apesar de levarem o nome do estudio Haoliners, por ele ser o dono. Na China o estudio Haoliners e responsável atualmente por 50% das animações do país. Então apesar de novo, ele é bem significativo por lá.

 

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O grande Estúdio Haoliners. Imagem de Intoxianime.

Desde que fundou o estúdio Amon a empresa tem investido em animações no modelo japonês adaptando obras da China, dubladas em chinês e japonês. A primeira tentativa foi Hitori no Shita. E logo isso se expandiu para 3 animes na mesma temporada: Bloodivores, Cheating Craft e To Be a Hero. Elas não fazem muito sucesso no Japão, mas na China não temos como saber. Como o mercado e número de pessoas lá, diferente do japonês, é colossal, não creio que devam ter prejuízo, mesmo com obras pouco chamativas. Deixando claro que o estúdio Haoliners banca os seus próprios projetos, sejam adaptação ou original. Ele é o dono dos direitos autorais. Diferente do modelo japonês, onde estúdios são sub-contratados por empresas grandes (Sony, Toho, Warnerbros, etc) para animar os projetos por valor um valor X, em 90% dos casos – nos outros 10-5% ele faz parte dos produtores financiando o projeto, mas nunca bancando a maior parte dele, só uma porcentagem menor.

 

Exemplos de animes chineses

Entre os diversos animes chineses produzidos, há os realizados pelo Estúdio Haoliners, em que a primeira tentativa foi Hitori no Shita, que logo foi seguida por mais 3 animes na mesma temporada: Bloodivores, Cheating Craft e To Be a Hero.

Hitori no Shita

Cho Soran, o protagonista, leva uma pacata vida de estudante colegial, até se meter num terrível incidente em uma pequena vila. Ao caminhar por um cemitério, Cho Soran é atacado por zumbis. Quando tudo já lhe parecia perdido, uma misteriosa garota munida de uma espada o salva e desaparece.

 

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Hitori no Shita. Imagem de Crunchyroll.com

 

Bloodivores

Um surto de insônia assola o mundo. Como efeito colateral do medicamento desenvolvido para suprimir essa doença, nasceram os Bloodivores. Filho de um pai humano e um Bloodivor, o protagonista Mi Ryu é preso como principal suspeito de um assalto a banco, ele é levado para uma prisão especial, que é atacada por monstros misteriosos que surgem do nada. Mi Ryu e Anji tentam fugir, mas ficam confusos quando descobrem que a prisão fica na cidade abandonada de Aori. Por que os Bloodivores capturados estão sendo mandados para Aori? Quem são (ou o que são) os monstros que lá vivem?

 

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Bloodivores. Imagem de Zerochan,net

Cheating Craft

Os Vestibulares são um dos fatores mais influentes na vida de um jovem. Dependendo dos resultados, uma vida fantástica e de classe lhe aguarda. Numa atmosfera cheia de conflitos como essa, estudantes fazem de tudo para “evoluir” e sobreviver. Os Learning Types são estudantes que se dedicaram suas vidas inteiras e memorizaram perfeitamente tudo que estudaram, enquanto os Cheating Types, como o nome sugere, só conseguiram subir os degraus do ensino pela trapaça. Como será que nosso heroi Mumei, um C-Type, e nossa heroína Koui, uma L-Type, se sairão nos testes?

 

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Cheating Craft. Imagem de Gamingilluminaughty.com

 

To Be a Hero

O protagonista, o Velho, é bastante atraente mas um baita de um preguiçoso, um péssimo pai e trabalha como projetista de assentos de privada. Ele é divorciado e mora com sua filha, Min-chan, que é bastante esperta e atlética. Um dia, enquanto ele fazia suas necessidades, ele foi sugado pelo toalete e ganhou a importante missão de se tornar um herói e salvar o mundo! Ele acaba tendo que sacrificar sua bela aparência por uma pança rotunda. E assim começa a batalha do Velho para proteger a Terra e Min-chan

 

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To Be a Hero. Imagem de Crunchyroll.com

 

Dado o exposto, podemos ver que a China além de se destacar nas mais diversas áreas de produtos manufaturados, também explora novos setores como os animes, com o qual não tinha uma tradição como a de seus concorrentes, mas busca superar isso e difundir suas produções por meio de aprimoramentos e investimentos.

Você sabe quais sites são proibidos na China? Veja no noso vídeo como funciona a internet chinesa. Aproveite para se inscrever no nosso canal.

 

Por Pedro Mochiatti Guijo, diretamente de Marília, SP – Brasil

Fontes: Armazen-otome; Intoxianime; Skdesu.com; Geeksinaction.com; Crunchyroll.com

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