Animação e a indústria do desenho animado na China

Você se interessa por animação? Então, que tal conhecer a indústria do desenho animado na China? Saiba mais abaixo sobre a crescente indústria do cinema de animação na China, suas dificuldades, história e produções!

 

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(Feelings of Mountains and Waters. /Douban Photo – retirado de CGTN).

 

O Cinema Animado Chinês

O cinema chinês é uma das indústrias que mais crescem e adquirem qualidade nos últimos tempos, e o seu ramo mais promissor é, com certeza, a animação. Sem custos com atores, locações de cenários ou coisas do tipo. A animação chinesa para o lazer é uma prática ancestral, como é o exemplo do tradicional teatro de sombras. O primeiro longa-metragem de animação chinês só estreou em 1918, e os primeiros curtas animados chineses datam da década de 1920 – ambos pelo estúdio “Wan Brothers” na “Great Wall Film Company” – um debute consideravelmente a par em comparação às produções animadas no Ocidente, que se iniciou em 1917 – sendo só em 1939 o lançamento do clássico “Branca de Neve” pelos estúdios de Walt Disney.

 

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(Imagem retirada de CGTN).

 

Mas, infelizmente, a animação chinesa sofreu uma parada abrupta no seu desenvolvimento histórico; o início da Guerra do Pacífico (entre China e Japão) causou a destruição de estúdios em Shanghai, o que abalou a produção cinematográfica chinesa. A Revolução Cultural chinesa acabou por destruir essa indústria e seu potencial, uma das mais promissoras do mundo. Agora atrasada, a indústria da animação chinesa teve que enfrentar uma tarefa assustadora, competir com a animação japonesa e americana, gigantes que já dominam o mercado global há muito tempo. Mas essa relação de concorrência começou a se transformar nos últimos anos.

 

Concorrência da animação chinesa: Animes Japoneses e Cartoons Estadunidenses

Você já assistiu algum anime? Pode ser que sim, mas, com certeza, já ouviu falar de Pokémon, Dragon Ball ou Naturo, e deve conhecer alguém que já assistiu algum desses; talvez algum amigo, filhos, primos ou sobrinhos. O Brasil é um dos países que mais consome esse tipo de mídia. O Anime, a animação japonesa, pode ser exibida em formato de séries ou filmes e faz parte da cultura de entretenimento do jovem brasileiro. Os animes começaram a ganhar espectadores no Ocidente na década de 1980 com “Dragon Ball”; nos anos de 1990 foi a vez “Sailor Moon”; já na década de 2000 foram introduzidos “Pokémon” e “Naruto”; de 2010 até hoje vemos títulos como “Attack on Titan”, “Naruto Next Generations” e o renomado “Seu Nome”. E Cartoons? Os desenhos estadunidenses, que também fazem muito sucesso por aqui, como, por exemplo “HeMan” e “ThunderCats” nos anos de 1980; “Scooby Doo” e “Jhonny Bravo” na década de 1990; nos anos 2000 temos “Ben10” e “Turma do Bairro”; e de 2010 para hoje os jovens assistem “Apenas Um Show” e “Hora de Aventura”. Você conhece alguma animação chinesa? Muito provavelmente não, mas esses nomes citados acima podem ser familiares e é essa a questão principal para a China: como driblar a concorrência com a animação japonesa e estadunidense já propagada e enraizada no Ocidente?

 

Cinema Chinês hoje

Na década de 2000, surgiram na China vários estúdios de animação privados, e muitos recebendo encomendas de produções de Hollywood ou do Japão. Mas, mesmo assim, as produções desenvolvidas na China, e genuinamente chinesas, impressionaram e conquistaram grandes bilheterias; as três produções melhor criticadas foram de 2015 “Monkey King: Hero is Back” (2015 – disponível na Netflix), “Big Fish and Begonia” (2016), “Da Hu Fa” (2017).

 

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(Imagem retirada de CGTN).

 

Depois da Segunda Guerra Mundial, o cinema animado voltou a crescer de forma tímida, primeiro com filmes educacionais e documentário. Só nos anos de 1950 que se investiu fortemente na animação, e os Wan Brothers estavam na frente na inovação nessa indústria. Por mais que a China tentasse produzir conteúdo na década de 1980, quando o mercado chinês se abriu para o exterior, nos anos de 1990, ficou claro que existia um abismo imenso entre os padrões locais e internacionais, tendo que combater os impérios de animação estadunidense e japonesa, com personagens únicos e tecnologia de animação de ponta. E, durante esse período, as imitações das animações estrangeiras mais populares se difundiram na China. Mas isso não ficaria assim. Na última década, a animação se tornou um setor de destaque para a indústria cultural da República Popular da China, e foram adotadas medidas de protecionismo para impulsioná-la. Além de orçamentos maiores, foram introduzidas formas de protecionismo contra o cinema estrangeiro, principalmente a animação.

Em 2006 foi anunciada a proibição de desenhos animados que misturassem partes animadas com atores reais, o que dificultou a entrada de vários programas animados do Ocidente. Essa estratégia serve para auxiliar empresas locais de animação, mas isso pode também prejudicá-las, a medida que não são tão inovadoras. Todo esse investimento e preocupação com esse ramo da indústria cultural rendeu resultados; segundo a iResearch, de 2014 a 2017, o público de animação chinesa foi de 100 milhões para 230 milhões de espectadores. Os jovens chineses vem aceitando de forma gradual e positiva à subcultura de animação e mídia digital nacional, apesar da intensa concorrência estrangeira. O número de estúdios privados na China vem crescendo muito nos últimos dez anos, e a audiência das séries e filmes desenvolvidos aparece em números promissores. Quanto tempo será que vai demorar para assistirmos desenhos chineses nos cinemas brasileiros?

 

Por Isabela Caetano, diretamente de Marília, SP, Brasil

Fontes: Instituto Confúcio, ChinaDaily, GBTimes, CGTN News

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