Julho 19 2018

Amizade entre China e Rússia e o cenário internacional

Posted by Victor Fumoto

A Medalha da Amizade é uma nova condecoração do governo chinês aos estrangeiros que tenham realizado grandes contribuições às relações com o país ou à manutenção da paz em nível internacional. O presidente da China, Xi Jinping, concedeu no último mês de Junho, a primeira Medalha da Amizade ao seu colega russo, Vladimir Putin, e destacou na cerimônia solene no Grande Palácio do Povo que tal gesto visava “honrar um velho amigo e parceiro”, “meu melhor amigo”; evidenciando a aliança cada vez mais firme entre as potências. Esse estreitamento de relações também se reflete na economia e nas atividades relacionadas às armas nucleares e aos mísseis hipersônicos. Os dois líderes buscam maiores relações econômicas, militares e políticas entre si, em face de sua rivalidade mútua com os Estados Unidos.

 

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Entrega da Medalha da Amizade de Xi Jinping para Vladimir Putin.

 

Além da Amizade entre China e Rússia

Ademais da evidente aproximação, nesse clima de amizade, os presidentes chinês e russo elogiaram a expansão de seu bloco asiático, a Organização de Cooperação de Xangai (OCX), em comparação a um G7 minado por divisões. A OCX visa o aumento da cooperação econômica e de segurança entre seus membros e inclui quatro ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central (Uzbequistão, Cazaquistão, Tajiquistão, Quirguistão). Com a integração da Índia e do Paquistão recentemente, a Organização “está ainda mais forte”, comemorou Putin. Por sua vez, Xi Jinping considerou que “a cooperação” é mais do que nunca necessária, “quando o unilateralismo, o protecionismo e as reações contrárias à globalização assumem novas formas”.

É preciso rejeitar a mentalidade da Guerra Fria e da confrontação entre blocos, e opor-nos à busca desenfreada de segurança para si mesmo à custa dos outros, afirmou o líder chinês na cúpula da OCX – sem nomear diretamente os Estados Unidos -, e que as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e o sistema multilateral devem ser respeitados a fim de evitar uma guerra comercial global, apontando indiretamente para as difíceis negociações com os EUA.

 

Armas Nucleares e Mísseis Hipersônicos

Foi anunciado nesta sexta-feira (08/06) pelo conglomerado público russo Rosatom que os governos da Rússia e da China assinaram diversos acordos nucleares durante a visita de Putin a Pequim. Tais acordos preveem a construção de quatro reatores do Gen 3+ WER-1200 com uma capacidade de 1.200 MW cada um, sendo que, dois serão instalados na central nuclear de Tianwan e outros dois na central de Xudabao, ainda em construção.

Já os mísseis hipersônicos são ferramentas capazes de voar a altitudes relativamente baixas com uma velocidade de uma até cinco milhas por segundo (o equivalente a 1,6 e 8 km por segundo, respetivamente). Levando em consideração a sua trajetória variável, diferente da dos mísseis balísticos, torna-se quase impossível os países se protegerem de tais armas com os atuais meios de defesa antiaérea.

Em 2010, a Boeing iniciou os testes do protótipo do míssil hipersônico Х-51 Waverider, entretanto, após dois lançamentos fracassados, o programa foi suspenso. Enquanto isso, a Rússia, em parceria com a China, desenvolveu o míssil hipersônico Kinzhal, que no momento passa pela fase de testes. Ao todo, já foram realizados 250 voos de teste. O caça modificado MiG-31 serve como portador do míssil que pode iludir todos os sistemas de defesa antimíssil e antiaérea existentes e em desenvolvimento, podendo transportar ogivas nucleares ou convencionais a distâncias de até dois mil quilômetros.

Agora, ao sentir-se passado para trás pelas potências em questão, os norte-americanos estão rapidamente tentando recuperar esse atraso. Em abril deste ano, o Pentágono fechou com e empresa Lockheed Martin um contrato, no valor de US$ 928 milhões (R$ 3,1 bilhões), para a criação de um protótipo de míssil de cruzeiro hipersônico.

 

 

 

Guerra Comercial Global

As políticas comerciais protecionistas do presidente Donald Trump levaram diversos países a reagir às novas tarifas norte-americanas destinadas a desestimular as compras estrangeiras de aço e alumínio. Como resultado, o ministro russo, Maxim Oreshkin, afirmou que Moscou reivindicaria seus direitos garantidos pela OMC para retaliar com impostos sobre as importações norte-americanas, e que seu governo estava preparado para ficar ao lado da China em uma florescente guerra comercial global com os EUA, reforçando a amizade entre estes países. Apesar de se recusar entrar em detalhes, o ministro disse que os impostos não incluiriam medicamentos, mas podem incluir produtos de construção.

Em uma tentativa de proteger a manufatura local e o comércio global “justo”, Trump assinou em março ordens executivas que impuseram tarifas sobre as importações de aço e de alumínio. O movimento, que entrou em vigor em 23 de março, foi visto como visando particularmente a China e incluiu isenções temporárias que protegeram os aliados dos EUA no Canadá, na UE e no México. Mas com essas isenções expirando no início do mês, as nações estão devolvendo a problemática aos EUA.

A UE e a Índia já se juntaram à China e à Rússia para levar casos contra os EUA na OMC. A Rússia calculou o dano de suas tarifas propostas em cerca de US $ 537,6 milhões, enquanto Oreshkin disse na terça-feira que a primeira etapa das tarifas contra os EUA seria de US $ 93 milhões.

Enquanto isso, a China já abriu um processo de US $ 3 bilhões na OMC contra os EUA, depois que Trump prometeu impor tarifas sobre produtos chineses no valor de US $ 200 bilhões. A UE anunciou cerca de US $ 3,4 bilhões em tarifas para começar imediatamente, com o potencial de bilhões a mais, dependendo do resultado do caso na OMC. Os vizinhos Canadá e México anunciaram suas próprias tarifas, que chegam a US $ 12,8 bilhões e US $ 3 bilhões, respectivamente.

 

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Gráfico das relações comerciais entre China e Estados Unidos.

 

O colapso das tradicionais alianças norte-americanas em meio a uma guerra comercial iminente surgiu enquanto a Rússia e a China reforçavam sua amizade, seus acordos bilaterais e buscavam melhorar sua posição no cenário mundial.

Além de ser alvo das tarifas de Trump, as atividades políticas e militares da Rússia e da China foram destacadas na mesma estratégia de segurança nacional do “América Primeiro” (“America First”), que pedia “ações de fiscalização do comércio justo quando necessário”. A Rússia e a China rejeitaram as críticas dos EUA, acusando Washington de estar preso à Guerra Fria enquanto eles se preparam para melhorar sua influência global.

A posição da Rússia no atual conflito comercial é apenas o mais recente sinal de que os dois principais antagonistas dos EUA estão cada vez mais alinhados, demonstrando sua forte relação de amizade. Em abril, o Ministro da Defesa, Wei Feng, disse à sua contraparte russa que sua delegação a Moscou “viria para apoiar” a Rússia e “mostraria aos americanos os estreitos laços entre as forças armadas da China e da Rússia” em meio a uma série de reuniões de alto nível, que culminou com a visita do presidente russo Vladimir Putin ao encontro do presidente Xi Jinping na China.

 

Por Jéssica Mensalieri Amaral, diretamente de Marília, SP, Brasil

Fontes: G1; O Globo; Sputniknews; Newsweek

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