Bitcoin: Por que China e Coreia do Sul querem acabar com a moeda virtual?

Nos últimos tempos o bitcoin esteve muito em voga na mídia, e você, certamente, já deve, ao menos, ter ouvido falar a respeito.

 

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(Montagem sobre Ruskpp/iStock)

 

Grande parte da atenção que o bitcoin ganhou em 2017 é derivada da imensa valorização que atingiu no segundo semestre do ano passado, principalmente entre novembro e dezembro, quando a moeda chegou a valer mais de U$ 18 mil (cerca de R$ 59 mil). Sua valorização, em 2017, ultrapassou os 900% e muitos se perguntam se não se trata de uma bolha. Por esses e outros motivos, o bitcoin é cercado de controvérsias e alguns países, tais como a China e a Coreia do Sul, querem dificultar a prosperidade da criptomoeda. Quer saber o porquê? Confira abaixo!

 

O que é o bitcoin?

O bitcoin, um dos investimentos de mais rápida valorização e motivo de controvérsias em 2017, é uma moeda virtual, criada em 2009 pelo misterioso Satoshi Nakamoto, e existe exclusivamente online. Sua emissão não é realizada por governos ou bancos tradicionais, como, por exemplo, o Real ou o Dólar, mas sim de forma descentralizada através de um processo computacional conhecido como “mining” (mineração).

 

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Neste processo, os computadores conectados à rede, e registrados no software, competem entre si na resolução de problemas matemáticos. O ganhador recebe, então, um bloco de moedas. O nível de dificuldade dos desafios matemáticos é ajustado pela própria rede, para que a moeda cresça dentro de uma faixa limitada – de até 21 milhões de unidades até o ano de 2140.

Tal limite foi estabelecido pelo misterioso desenvolvedor do bitcoin, Satoshi Nakamoto, que até hoje não teve a identidade comprovada. Além do controle no limite de moedas que podem ser criadas, de tempos em tempos o valor da recompensa dos “mineiros” é também reduzido.

 

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Todas as moedas criadas e as transações realizadas são registradas na rede de internet – em um espaço chamado blockchain, um banco de dados descentralizado que utiliza criptografia – de forma a evitar que os arquivos sejam fraudados ou copiados e que as transações sejam rastreadas. Os US$ 170 bilhões em bitcoins, aproximadamente R$ 500 bilhões, ficam armazenados em 9.500 computadores espalhados pelo mundo.

Assim como outras moedas, o bitcoin não possui um “valor inerente”. Seu valor segue as regras de mercado, ou seja, quanto maior a demanda, maior a cotação. Historicamente, o bitcoin é bastante volátil – em 2014, a moeda virtual sofreu uma grande desvalorização, no entanto, nos últimos anos voltou a valorizar-se; em 1º de janeiro de 2017, a moeda era negociada a pouco mais de mil dólares, porém, no início de dezembro, já valia mais de US$ 10 mil.

 

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Os países possuem posicionamentos diversos em relação ao bitcoin: a Rússia, por exemplo, movimenta-se no sentido de “regular” a moeda; já o Japão passou a aceitar a moeda virtual como meio legal de pagamento, em abril de 2017. Porém, existem nações que procuram frear a prosperidade da moeda, como a China e a Coreia do Sul. Entenda abaixo os casos dos países asiáticos e suas respectivas motivações.

 

O caso da China

O dragão asiático representa cerca de dois terços do poder de processamento e mineração de bitcoins e responde por cerca de 23% de todas as transações realizadas com a moeda virtual e, por isso, um impacto negativo na região poderia causar um impacto ainda maior no mercado global. É na China que se encontram os maiores mineradores de bitcoin do mundo, dentre os quais alguns estão localizados em torno de instalações hidrelétricas nas províncias de Sichuan e Yunnan.

 

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O bitcoin enfrenta uma situação paradoxal na China: como a energia elétrica no país é muito barata, “minerar” a moeda virtual tornou-se um negócio extremamente lucrativo, no entanto, acaba gastando uma enorme quantidade de eletricidade, o que afetou, em alguns casos, a normalidade do uso de energia elétrica. Diante desta realidade, autoridades locais investigaram o alto consumo de energia associado à mineração da moeda e o governo chinês decidiu aumentar o preço da eletricidade, criando impostos e barreiras ambientais, com o intuito de que mineradores de bitcoins no país desistam do negócio.

No entanto, a preocupação do governo chinês em relação ao bitcoin e suas medidas para restringi-lo vão além das questões energéticas. Ao tomar tais decisões, a China demonstra, também, preocupação diante dos efeitos que o bitcoin, criptomoeda circulando livremente no país, pode causar na economia nacional, desencadeando, enquanto não for regulamentada, possíveis desequilíbrios e atrapalhando o planejamento econômico do país.

 

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Em setembro do ano passado, uma das maiores bolsas online da China, a BTCChina, anunciou que suspenderia suas transações com a divisa, bem como a abertura de novas contas, em meio a uma campanha repressiva do governo chinês contra as moedas criptográficas. A decisão do governo da China, bem como suas consequências, foi apontada como motivo da desvalorização do bitcoin na época, antes mesmo da valorização entre novembro e dezembro de 2017.

O governo chinês quer fechar o cerco das moedas virtuais no país, ordenando, para isto, o fechamento de várias plataformas de câmbio e proibindo a prática conhecida como ICO (Initial Coin Offerings), uma espécie de abertura de capital na bolsa realizada com criptomoedas.

Diante do posicionamento da China acerca do bitcoin, a Bitman, uma mineradora chinesa, está abrindo uma subsidiária na Suíça – país com jurisdição amigável ao bitcoin e ambiente regulatório favorável. A futura sede da Bitman na Suíça, Zug, é conhecida como “o vale das criptomoedas”.

 

O caso da Coreia do Sul

Depois das restrições impostas pela China ao bitcoin, a moeda virtual pode sofrer outro revés na Ásia, pois, segundo relatos dos jornais The Nikkei Asian View e South China Morning Post, a Coreia do Sul – país pioneiro na adoção de moedas virtuais, que conta com cerca de um milhão de cidadãos investindo na moeda – está considerando proibir transações com a moeda, bem como outras moedas virtuais.

 

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O Nikkei Asian View informou que, segundo fontes do Ministério da Justiça da Coreia do Sul, o objetivo de tais medidas por parte do governo sul-coreano é proteger a população de golpes. O promotor Choi Jin-seok disse à publicação que o país não descarta proibir todas as negociações com criptomoedas, pois existem diversos problemas derivados dessas transações.

O South China Morning Post informou que o coordenador da Comissão de Serviços Financeiros do país, Choi Jong-ku, afirmou que o órgão estuda medidas para restringir as transações de algumas maneiras, inclusive uma proibição total, para inibir investimentos especulativos.

Há notícias de que autoridades sul-coreanas estão fazendo inspeções em contas bancárias relacionadas às trocas de moedas digitais para reprimir, não só investimentos especulativos, como também a lavagem de dinheiro. Essa preocupação é dividida também pelos países europeus, que não se renderam à moeda, por acreditar que a mesma incentiva a lavagem de dinheiro. Segundo o Jornal Yonhap, a Unidade de Inteligência Financeira da Coreia do Sul e o Serviço de Supervisão Financeira estão verificando contas em seis grandes bancos do país.

 

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No entanto, não só a lavagem de dinheiro e os investimentos especulativos são fontes da “grande preocupação do governo” com os bitcoins, como chamou o Ministro da Justiça do país, Park Sang-ki. Outro fator determinante para as ações da nação asiática em relação à moeda virtual é justamente sua vizinha, a Coreia do Norte, que, segundo a empresa de inteligência de ameaças na internet, Recorded Future, começou a minerar bitcoins em maio de 2017.

Embora a preocupação da Coreia do Sul com o bitcoin tenha um forte cunho econômico, consequências políticas oriundas da entrada da Coreia do Norte na mineração e na negociação com a moeda virtual são fatores fundamentais para as recentes decisões tomadas pelos sul-coreanos.

Alguns analistas de segurança da Coreia do Sul, bem como a mídia nacional, demonstraram medo da possibilidade de serem hackeados pelos vizinhos do norte através do blockchain – banco de dados criptografado que registra e armazena todas as moedas criadas e transações realizadas. Recentemente, alguns meios de comunicação informaram que a Coreia do Norte conseguiu hackear e roubar alguns milhões de uma corretora sul-coreana.

 

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Mas, além do receio de serem hackeados, há também questões envolvendo os testes de mísseis nucleares na Coreia do Norte, as tensões entre o país e os Estados Unidos e as sanções impostas pela ONU ao país asiático. Com a escalada de tensão entre Pyongyang e Washington, a Organização das Nações Unidas (ONU) decidiu aplicar sanções econômicas à Coreia do Norte, as quais visaram cortar grande parte das importações de produtos norte-coreanos, enfraquecendo economicamente o país.

Entre tais sanções estavam, por exemplo, a interdição efetuada pela China, principal parceiro e apoiador da economia norte-coreana, em suas importações de carvão, ferro, minérios de ferro e chumbo, animais aquáticos e produtos do mar oriundos da Coreia do Norte. Podemos citar, ainda, como tentativa de enfraquecer economicamente a nação asiática e barrar seu programa nuclear, as pressões dos Estados Unidos à China para estabelecer um embargo de petróleo aos norte-coreanos.

Para os sul-coreanos, todas estas medidas e tentativas de impossibilitar o desenvolvimento nuclear da Coreia do Norte não seriam efetivas diante da notícia de que, agora, os norte-coreanos estão minerando bitcoins. Isso porque, ao “criar” moeda através da tecnologia blockchain, a qual está aberta a qualquer pessoa, independentemente da localização, o governo de Kim Jong-un poderia negociar bitcoins como ações ou outros ativos financeiros, tornando a localização um não-fator. Como consequência, a Coreia do Norte conseguiria evadir as sanções impostas pelas Nações Unidas e fortalecer sua moeda, fomentando, assim, seus projetos nucleares.

Para ficar por dentro de todas as notícias sobre a China e saber mais sobre importação, continue ligado no blog!

 

Por Ana Yamashita, diretamente de São Paulo, SP, Brasil

Fontes: BBC; EXAME; Época Negócios; O Globo; InfoMoney; Valor Econômico;  Superinteressante; Forbes; Criptomoedas Fácil; Folha de São Paulo; G1

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